Pesquisa mostra que maioria de alunos e docentes já usa IA nas escolas, mas orientação pedagógica sobre o tema ainda é escassa.
A inteligência artificial deixou de ser um assunto distante da sala de aula e passou a fazer parte da rotina de milhões de estudantes e professores brasileiros, muitas vezes sem que a escola tenha se preparado para isso. Uma pesquisa revelou que 84% dos estudantes e 79% dos professores do país já utilizaram ferramentas de IA, principalmente para realizar pesquisas escolares. O dado chama atenção justamente pelo contraste que revela: apenas 32% dos estudantes dizem ter recebido orientação nas escolas sobre como utilizar essas tecnologias. Essa lacuna entre o uso cotidiano e a orientação pedagógica formal é o que está reformulando as prioridades da formação de professores neste ano, tornando a capacitação docente um dos temas mais discutidos entre secretarias de educação e instituições de ensino superior. EscolasconectadasEscolasconectadas
Como a inteligência artificial já está presente na rotina escolar
O uso disseminado da IA por estudantes e professores não é um fenômeno isolado, mas parte de uma transformação mais ampla no cotidiano escolar. Em 2026, o debate sobre o uso de IA na educação ganha outra densidade, deixando de ser um tema periférico para se tornar um elemento estruturante da vida escolar, com impactos diretos sobre currículo, formação docente e práticas pedagógicas. Isso significa que decisões que antes ficavam restritas a projetos-piloto isolados passam a exigir posicionamento das redes de ensino como um todo, incluindo diretrizes claras sobre o que é permitido, o que precisa de supervisão e como avaliar trabalhos produzidos com apoio de ferramentas de IA. Escolasconectadas
Diante desse cenário, redes de ensino e organizações do setor têm lançado iniciativas específicas de capacitação. Uma plataforma disponibiliza gratuitamente um curso voltado a apoiar educadores a se qualificarem diante desses novos desafios, com o professor permanecendo no centro do processo de transformação pedagógica. Esse tipo de iniciativa busca evitar dois extremos igualmente arriscados: a rejeição total da tecnologia, que deixa os alunos sem orientação sobre um recurso que já usam de qualquer forma, e a adoção acrítica, que pode comprometer o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e raciocínio próprio dos estudantes. Escolasconectadas
O papel da formação continuada diante desse cenário
Especialistas em formação docente reforçam que a qualidade da tecnologia usada em sala de aula não é o único fator relevante. A qualidade das soluções tecnológicas torna-se tão relevante quanto a formação dos professores para utilizá-las de forma crítica, ética e intencional, com a discussão em 2026 se aprofundando em torno de critérios como alinhamento curricular, governança de dados, transparência dos modelos e equidade no acesso a soluções de qualidade. Esse ponto é central porque muitas escolas de regiões mais pobres correm o risco de ter acesso apenas a ferramentas de IA mais limitadas, ampliando desigualdades que já existem entre redes públicas e privadas. Fundacaolemann
Essa preocupação também aparece refletida em programações de formação continuada realizadas ao longo do ano. Uma iniciativa de formação docente reúne cursos presenciais e online voltados a professores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e gestores da educação básica, organizados a partir de temas como inteligência artificial, personalização da aprendizagem, inclusão e fortalecimento da gestão pedagógica. Programações desse tipo mostram que a IA não está sendo tratada como um tema isolado dentro da formação docente, mas incorporada junto de outras pautas que já ocupavam a agenda das escolas, como inclusão e saúde das relações escolares. Educador21
Outras frentes que marcam a formação docente em 2026
Além da tecnologia, a formação de professores em 2026 também enfrenta um desafio estrutural mais antigo: a permanência dos profissionais na carreira. Habilitar novos professores não resolve, por si só, o problema estrutural da educação básica, sendo fundamental que existam condições para que esses profissionais permaneçam no magistério com motivação e estabilidade, o que exige diálogo entre formação inicial e continuada, políticas de carreira e condições de trabalho. Esse ponto é frequentemente citado por pesquisadores da área como um dos principais motivos da escassez de docentes em disciplinas específicas, um problema que políticas isoladas de capacitação tecnológica não conseguem resolver sozinhas. FENEP
Some-se a isso a expansão de outra política que deve consumir parte significativa da formação docente nos próximos anos: a ampliação do Programa Escola em Tempo Integral, impulsionada pela Lei nº 14.640, sancionada em 2023, que prevê investimentos de cerca de R$ 4 bilhões até 2026, com o objetivo de ampliar a oferta de matrículas em tempo integral com jornadas mínimas de 35 horas semanais. Professores que vão atuar nesse modelo precisam de formação específica para lidar com jornadas mais longas e currículos mais diversificados, o que reforça a ideia de que 2026 concentra várias frentes de capacitação rodando ao mesmo tempo. Fundacaolemann
A formação de professores brasileiros atravessa, neste momento, um período de reorganização que combina tecnologia, políticas de carreira e ampliação de jornada escolar. O crescimento do uso de inteligência artificial por alunos e docentes tornou inevitável que as redes de ensino tratassem o tema com mais seriedade, saindo de um estágio de experimentação isolada para diretrizes mais estruturadas. Ao mesmo tempo, questões antigas, como a permanência de professores na carreira e a qualidade das condições de trabalho, seguem determinando se as novas políticas vão de fato se traduzir em salas de aula melhores. O equilíbrio entre inovação tecnológica e valorização docente deve continuar sendo o principal ponto de atenção ao longo do ano.
Fontes:
