Os resultados do Pisa 2025 Brasil mostram uma evolução do desempenho dos estudantes brasileiros nas últimas duas décadas, mas também confirmam a distância que ainda separa o país da média dos integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A edição mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes foi divulgada em 8 de setembro de 2026 e avaliou jovens de 15 anos em 91 países e economias.
De acordo com o Inep, o Brasil aparece entre os participantes que mais avançaram desde 2006. O país ocupa a 7ª posição entre os que mais evoluíram em Leitura e Matemática e a 8ª em Ciências, considerando uma lista com mais de 50 países. O resultado indica progresso no longo prazo, embora não represente a superação dos problemas de aprendizagem.
Quais foram as médias do Brasil no Pisa 2025?
Na edição de 2025, o Brasil registrou média de 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. A avaliação teve Ciências como domínio principal, enquanto Leitura e Matemática também foram aplicadas para permitir comparações com ciclos anteriores e acompanhar a trajetória dos sistemas educacionais.
Os dados revelam uma diferença importante em relação à média da OCDE. Segundo o Inep, a distância era de 58 pontos em Leitura, 92 em Matemática e 77 em Ciências. Assim, mesmo com o avanço acumulado desde 2006, o desempenho brasileiro ainda permanece abaixo do observado, em média, nos países da organização.
O que o Pisa avalia nos estudantes?
O Pisa não funciona como uma prova escolar tradicional nem tem como objetivo medir apenas a memorização de conteúdos. A avaliação procura identificar se os estudantes conseguem aplicar conhecimentos para resolver problemas, interpretar informações, pensar criticamente e lidar com situações relacionadas ao cotidiano.
Esse enfoque ajuda a explicar por que os resultados são acompanhados por governos, redes de ensino, professores e pesquisadores. A pontuação não representa uma nota individual para cada aluno nem substitui as avaliações realizadas pelas escolas. Ela oferece um retrato comparável entre países sobre competências consideradas importantes para a continuidade dos estudos, a participação social e a vida profissional.
O ciclo de 2025 também incluiu o domínio de aprendizagem no mundo digital. A proposta considerou a capacidade de resolver problemas com o uso de ferramentas computacionais, acompanhando mudanças na forma como os estudantes acessam informações, estudam e realizam atividades.
Avanço brasileiro ocorre em um cenário internacional difícil
A comparação histórica precisa ser interpretada com cautela. O Brasil avançou em relação a 2006, mas a OCDE informou que o desempenho médio dos países-membros caiu de forma expressiva em Leitura e Matemática. Portanto, a posição brasileira entre os países que mais evoluíram não significa que o sistema educacional nacional tenha alcançado um patamar de desempenho elevado.
O dado mais relevante é a combinação entre duas constatações: houve melhora brasileira nas três áreas avaliadas ao longo de 20 anos, mas continuam grandes as diferenças em relação à média da OCDE. Para escolas e gestores, isso reforça a necessidade de acompanhar tanto a evolução dos indicadores quanto o nível efetivo de aprendizagem alcançado pelos estudantes.
O que os resultados indicam para a educação brasileira?
Os números podem orientar políticas voltadas ao fortalecimento da leitura, da matemática e das ciências, especialmente em competências que exigem interpretação, raciocínio e aplicação prática do conhecimento. Também ajudam a identificar que o avanço não deve ser avaliado apenas pela posição do Brasil em um ranking, mas pela capacidade de garantir aprendizagem consistente aos estudantes.
Para os professores, o Pisa oferece referências sobre habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo da escolarização. Para as famílias, os resultados ajudam a contextualizar desafios que aparecem no cotidiano, como dificuldades de interpretação de textos, resolução de problemas e compreensão de fenômenos científicos. Já para os gestores, a avaliação fornece dados para planejar ações de formação, acompanhamento e melhoria das redes de ensino.
A página do Inep sobre o Pisa explica que o programa é uma avaliação internacional voltada a estudantes de 15 anos. Seus resultados devem ser lidos como parte de um diagnóstico amplo, em conjunto com informações sobre escolas, professores, condições de ensino e características dos sistemas educacionais.
O Pisa 2025, portanto, apresenta uma mensagem dupla para o Brasil. O país conseguiu avançar desde 2006 e figura entre os que mais melhoraram nas três áreas analisadas. Ao mesmo tempo, as médias registradas e a distância em relação à OCDE mostram que ainda há um percurso significativo para transformar evolução estatística em aprendizagem mais sólida e disseminada entre os estudantes brasileiros.
