A partir da próxima semana, a CPI da Covid-19 terá uma nova dinâmica: com a quantidade de depoimentos agendados e o exíguo tempo restante para a conclusão dos trabalhos, as sessões ocorrerão entre as terças e sextas-feiras. Nos próximos dias, os senadores vão ouvir o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (pela segunda vez), o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco Filho, braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e médicos e cientistas que defendem o uso da cloroquina, remédio ineficaz para o tratamento do coronavírus, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A reconvocação de Queiroga foi aprovada na quarta-feira, 26, na sessão deliberativa da CPI destinada à apreciação de requerimentos, mas, inicialmente, não havia uma data marcada para a sua oitiva. No entanto, como mostrou a Jovem Pan, o grupo majoritário da comissão, o G7, trabalhava para antecipar a volta do ministro ao colegiado.

Desde que Marcelo Queiorga depôs pela primeira vez, no dia 6 de maio, e defendeu medidas de isolamento social e o uso de máscaras, o presidente Jair Bolsonaro promoveu aglomerações, como no ato com motociclistas no Rio de Janeiro e em Brasília, defendeu o uso de medicamentos do chamado “kit Covid” e, ainda, foi favorável à disputa da Copa América no Brasil, apesar de o Ministério da Saúde reconhecer a possibilidade de uma terceira onda de coronavírus no Brasil. Em razão disso, os senadores querem esclarecimentos sobre os protocolos sanitários e os riscos que a realização do torneio podem trazer ao combate da pandemia.

Na quarta-feira, 9, será ouvido Élcio Franco Filho. O depoimento do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde estava inicialmente marcado para o dia 27 de maio, mas foi adiado porque o coronel do Exército foi diagnosticado com a Covid-19. Ele será questionado sobre o processo de aquisição de vacinas. Os senadores esperam que Franco possa preencher lacunas deixadas pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Nesta sexta-feira, 4, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que as investigações da comissão comprovam que o governo federal não respondeu a 53 e-mails da Pfizer. “Na investigação que estamos fazendo na CPI da Pandemia, descobrimos que, na verdade, foram 53 e-mails da Pfizer que ficaram sem resposta. O último, datado de 2 de dezembro de 2020, é um e-mail desesperador da Pfizer pedindo algum tipo de informação porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil”, escreveu Rodrigues.

Na quinta-feira, 10, a CPI da Covid-19 recebe o governador do Amazonas, Wilson Lima. Envolta em expectativa, a oitiva do gestor estadual é uma das mais aguardadas: os senadores devem questionar o chefe do Executivo amazonense sobre a crise de oxigênio que atingiu o Estado no início do ano e os desvios de recursos na área da Saúde. Na quarta-feira, 2, Lima, aliado do presidente Jair Bolsonaro, foi alvo da Operação Sangria, da Polícia Federal (PF), que apura fatos relacionados a possíveis práticas de crimes de fraude a licitação, desvio de recursos públicos e pertencimento a uma organização criminosa. De acordo com a investigação, há indícios de que funcionários do alto escalão do governo do Amazonas realizaram contratação fraudulenta para favorecer um grupo de empresários locais de um hospital de campanha. Os desvios aconteceriam sob orientação da cúpula do governo estadual.

Na sexta-feira, 11, serão ouvidos Clóvis Arns da Cunha (professor de infectologia da Universidade Federal do Paraná e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia), Zeliete Zambom (médica de família e comunidade, professora da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic e presidente Sociedade Brasileira Medicina de Família e Comunidade), Francisco Eduardo Cardoso Alves (especialista em infectologia pelo Emílio Ribas) e Paulo Porto de Melo (médico neurocirurgião). Esta audiência estava marcada para o dia 2 de junho, mas foi adiada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Os governistas contestaram a decisão por acreditarem que a comissão deve ouvir médicos favoráveis ao uso de medicamentos do “kit Covid”, sobretudo após o depoimento da médica Luana Araújo, que foi escolhida pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinário de enfrentamento à Covid-19, mas acabou vetada pelo Palácio do Planalto.