Com os sete votos necessários já alcançados, o Tribunal Especial Misto (TEM) do Rio de Janeiro aprovou, nesta sexta-feira, 30, o impeachment do governador afastado Wilson Witzel (PSC). Com isso, Witzel perde definitivamente o cargo. Faltam três votos. O processo foi iniciado em junho do ano passado, quando a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu, por unanimidade, dar prosseguimento ao caso. O pedido foi elaborado pelos deputados estaduais Luiz Paulo e Lucinha, ambos do PSDB, que acusaram o governante de crimes de responsabilidade, incluindo suspeitas de superfaturamento na compra de respiradores para pacientes com coronavírus e construção de hospitais de campanha.

Já com a sessão iniciada, Witzel foi ao Twitter afirmar que não desistiria “jamais do cargo a que fui eleito”. “Não desistirei jamais do cargo a que fui eleito. Espero um julgamento justo e técnico. As alegações finais do deputado Luiz Paulo são desprovidas de prova e demonstram toda sua frustração por seu grupo ter sido derrotado nas eleições, diga-se o grupo do Cabral e Picciani”, diz a publicação. Ao longo da sessão, o agora ex-governador fez diversas críticas aos votos proferidos. “Irresponsável o voto do Relator, num julgamento rancoroso e político de oposição da pior espécie, sem respaldo na realidade, concluiu pela minha omissão objetiva no controle da pandemia. Surreal, porque fui o primeiro a tomar as medidas restritivas”, disse sobre o voto do relator, Waldeck Carneiro (PT), favorável à destituição.

Witzel foi afastado por 180 dias do cargo em agosto de 2020, acusado pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais, por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Os fatos não só são contemporâneos como estão ocorrendo e, revelando especial gravidade e reprovabilidade, a abalar severamente a ordem pública, o grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em pleno pandemia da Covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade, tornando inafastável a prisão preventiva como único remédio suficiente para fazer cessar a sangria dos cofres públicos, arrefecendo a orquestrada atuação da ORCRIM”, escreveu o magistrado à época.

Em fevereiro deste ano, por unanimidade, Witzel se tornou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – dos 15 desembargadores que compõem a Corte Especial do STJ, 13 votaram pelo recebimento da denúncia; dois se declararam impedidos. Na ocasião, o colegiado também prorrogou o afastamento do governador eleito em 2018 por mais um ano.