Relator da CPI da Covid-19, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi ao Twitter cobrar que a comissão marque “rapidamente” o novo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aos senadores. A reconvocação do titular do Ministério da Saúde foi aprovada na quarta-feira, 26, mas, até o momento, a nova oitiva não tem data marcada. Na publicação feita nas redes sociais, o emedebista afirmou que o presidente Jair Bolsonaro faz um “jogo macabro” em direção à morte e à autodestruição e acrescentou que o médico cardiologista, escolhido para suceder Eduardo Pazuello na pasta, “se omite diante do morticínio”.

“Na psicanálise freudiana, a pulsão de morte é o movimento em direção à morte e à autodestruição. É o jogo macabro de Bolsonaro do qual o ministro Queiroga se torna cúmplice pq se omite diante do morticínio. É preciso marcar rapidamente a volta do ministro à CPI”, escreveu Renan Calheiros. Como a Jovem Pan mostrou, em seu primeiro depoimento à comissão, no dia 6 de maio, o ministro da Saúde evitou responder diretamente a perguntas sobre a postura adotada por Bolsonaro desde o início da crise sanitária. Ao longo do último ano, o chefe do Executivo federal contestou as medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores, questionou a eficácia de vacinas e defendeu o uso da cloroquina, medicamento ineficaz para o tratamento de pessoas infectadas como novo coronavírus.  “O senhor compartilha da opinião do presidente sobre o uso da cloroquina?”, questionou Calheiros durante a oitiva. “Eu não faço juízo de valor a respeito da opinião do presidente da República”, rebateu o comandante da Saúde.

Na quinta-feira, 29, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), divulgou o calendário de depoimentos do próximo mês de trabalhos. Na terça-feira, 1º, será ouvida a médica Nise Yamaguchi, defensora da cloroquina e apontada como integrante de um suposto gabinete paralelo, que assessorava Bolsonaro para a definição de políticas públicas de enfrentamento à pandemia. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), será o primeiro gestor estadual a ser ouvido. Ele é considerado um personagem central para elucidar a crise do oxigênio que causou o colapso da rede hospitalar do Estado, no início do ano.