O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), coordenador do Fórum dos Governadores, questionou, nesta quinta-feira, 1º, em entrevista ao Jornal da Manhã, a falta de apoio do governo federal à União Química, responsável pela vacina contra a Covid-19 Sputnik V no Brasil. O laboratório enviou um novo pedido de uso emergencial do imunizante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a primeira solicitação, enviada à agência em 15 de janeiro, ter sido cancelado. Com a falta de vacinas para os próximos meses, Wellington Dias acredita que o investimento na Sputnik V pode ser uma saída para o Brasil. “Eu confesso, como brasileiro, que não entendo a falta de apoio à União Química. Nós estamos aprovando vacinas, que só vamos receber em junho ou julho, aceleradamente. A Sputnik, que tem vacina à pronta-entrega, eu não vejo esse apoio para que a gente tenha produção por cientistas brasileiros na União Química ou para a compra da vacina vindo de outros laboratórios”, questionou Dias, que lembrou que governadores do nordeste tiveram que ir a campo para adquirir 37 milhões de doses do imunizante.

Segundo ele, quando o governo federal não agiu, os governadores tiveram que assumir a compra de equipamentos e vacinas. Por esse motivo, Dias elogiou a articulação do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. “Uma coisa que eu comemoro é que o novo ministro começou a fazer uma compra centralizada do ‘kit intubação’. Começou a chegar nos Estados medicamentos que estavam em um verdadeiro leilão. Na hora que você faz uma compra centralizada, ganha o Brasil, porque tem um preço melhor, e dá segurança jurídica, porque tem um preço padrão.” Apesar disso, o coordenador do Fórum dos Governadores afirmou que irá conversar com o ministro para entender alguns problemas, como a redução da previsão de vacinas para abril.

Dias acredita que a alteração foi causada na programação de entregas da vacina de Oxford e da AstraZeneca. “A Índia é quem estava cumprindo o contrato com a AstraZeneca. Desses 9,1 milhões, tinha na programação que 3 milhões serem entregues em março, mas só entregaram 1 milhão. Programaram 2 milhões de doses para abril, está mantido?”, perguntou o governador. Ele afirmou que o Fórum está buscando tratativas com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para saber se o cronograma de entrega em abril e maio está mantido. “Eu acho que o Brasil tem que entrar em campo. Uma agenda com o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), é uma medida ousada? Claro que é. Conversei com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, com o presidente da Câmara, Arthur lira e vamos pedir. Qual é a ideia? A ONU criar uma sensibilidade com a realidade do Brasil. Não adianta a OMS e a ONU dizer que o Brasil é o epicentro da pandemia. O mundo tem que ajudar o Brasil”, completou.