Partidos de oposição tentam articular na Câmara dos Deputados uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos crimes cometidos pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O pedido deve ser baseado no depoimento do delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, na Comissão de Legislação Participativa da Câmara. Ele acusa Salles de ter atuado para obstruir uma investigação sobre corte de madeira ilegal na Amazônia. Saraiva chegou a enviar uma notícia-crime contra o ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF) e foi exonerado da superintendência da Polícia Federal (PF) no Amazonas. O deputado Marcelo Freixo (PSOL) chamou a comissão de “CPI da Devastação Ambiental”. Embora a iniciativa seja de líderes dos partidos de esquerda, o movimento também pode envolver partidos de centro que não estão na base do governo.

Para o deputado Daniel Coelho (Cidadania), as denúncias merecem ser investigadas. “Cabe ao parlamento brasileiro investigar a conduta do seu ministro do meio ambiente, principalmente em relação Às graves acusações feitas por um delegado da Polícia Federal que, evidentemente, trabalhava em equipe. Ele trabalha junto com escrivãs, agentes, se tivesse algum direcionamento político alguém iria falar”, disse. O possível pedido pela CPI contra Ricardo Salles foi assunto na reunião desta terça-feira, 27, na Comissão de Meio Ambiente. Deputados bolsonaristas vêm confrontando o delegado Alexandre Saraiva sobre as acusações.

O Coronel Chrisóstom (PSL) criticou a tentativa de abertura do colegiado. “As palavras não são bem ditas, muitas delas são mal ditas aqui, com relação à Amazônia e ao governo federal, que está cuidando muito bem de todas as formas, inclusive usando muito bem as polícias militares ambientais para apoiar o não ao desmatamento“, afirmou. O requerimento que pede a criação da CPI do Meio Ambiente ainda está em fase de coleta de assinaturas. Para que ele se torne válido, precisa ser assinado por pelo menos 171 deputados, além de apontar um fato determinado. Caso o número seja alcançado, cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira, decidir se autoriza ou não a instalação do colegiado.

*Com informações do repórter Levy Guimarães