O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, prestou depoimento no âmbito da Operação Spoofing. A investigação foi aberta em 2019, para apurar a ação de hackers que invadiram e acessaram mensagens de autoridades, incluindo de procuradores da Lava Jato. Moro foi o juiz responsável pelos casos relacionados à operação e teve conversas com procuradores vazadas. Os diálogos foram usados como base para declarar o ex-juiz suspeito no processo do ex-presidente Lula envolvendo o Triplex no Guarujá. Em depoimento por videoconferência nesta segunda-feira, 17, o ex-juiz disse que a ação dos hackers atrapalhou o combate à corrupção e que a divulgação das conversas ocorreu de forma sensacionalista. “Estas mensagens foram utilizadas de uma maneira sensacionalista para buscar, vamos dizer assim, interromper investigações contra crimes de corrupção. A gente tem uma tradição de impunidade e aí vem essas pessoas e utilizam esses meios ilícitos para minar esses esforços anticorrupção, as consequências para mim foram extremamente graves.”

Sergio Moro também negou que tenha interferido na investigação do ataque hacker enquanto foi ministro da Justiça. “Virou uma questão de segurança nacional, demandar um acompanhamento mais próximo por parte do ministro da Justiça do que estava acontecendo, mas sem jamais afetar a autonomia, tanto de investigação como de valoração dos fatos, por parte do delegado responsável pelo caso”, disse. A ex- deputada Manuela d’Avila também foi ouvida. Ela depôs por ter intermediado o contato do hacker Walter Delgatti com o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, que divulgou as conversas. A ex-deputada afirmou que muitas pessoas, incluindo autoridades, acreditam que o hacker “fez um favor” ao Brasil. Em julho de 2020 tanto Moro quanto Manuela já tinham sido ouvidos como testemunhas, mas um recurso da defensoria pública anulou os depoimentos, que foram remarcados.

*Com informações da repórter Camila Yunes