O senador Otto Alencar (PSD-BA) marcou para a terça-feira, 27, às 10h, a instalação da CPI da Covid-19, que irá apurar ações e omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus e eventuais irregularidades nos repasses da União para Estados e municípios. “Convoco os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito, criada pelos Requerimentos nºs 1371 e 1372, de 2021 destinada a apurar, no prazo de 90 dias, as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil (CPI da Pandemia) para reunir-se, no dia 27 de abril de 2021, às 10 horas, no plenário nº 3 da Ala Senador Alexandre Costa, em sistema semipresencial, para sua instalação e eleição do presidente e vice-Presidente”, diz o comunicado divulgado por Alencar – por ser o membro mais idoso do colegiado, o parlamentar tem a prerrogativa de fazer o agendamento e presidir a primeira reunião.

Como a Jovem Pan mostrou, há um acordo firmado pela maioria dos integrantes da CPI que prevê as escolhas de Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros para os cargos de presidente, vice-presidente e relator, respectivamente. Apesar disso, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) lançou sua candidatura avulsa para a presidência do colegiado. “O povo não quer palanque politico eleitoral para 2022. Aliás, isso seria uma covardia, um desrespeito com a dor das pessoas. A CPI precisa ser técnica, essa CPI precisa ser muito técnica, e que possa buscar toda verdade e não apenas a verdade. Da forma que está sendo conduzido esse acordão, acredito que está tendo movimentação do povo reagindo contra isso, vai acabar em pizza para alguns, é frustração grande”, disse em entrevista à Jovem Pan.

Na noite da segunda-feira, 19, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), publicou um ato normativo que disciplina o funcionamento semipresencial da CPI da Covid-19. Segundo o documento, urnas eletrônicas serão instaladas na área externa do plenário da comissão e também na garagem do Senado. “Haverá também urna eletrônica na garagem coberta do Senado, destinada preferencialmente aos senadores e senadoras em grupo de risco, para que possam exercer seu direito ao voto sem necessitar entrar no edíficio do Senado Federal. As urnas eletrônicas deverão informar o nome, o cargo e a imagem dos candidatos”, diz o ato. A medida contraria os parlamentares governistas, que defendiam que os trabalhos fossem feitos de forma presencial – na sessão em que Pacheco leu o requerimento para a instalação da comissão, o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), apresentou questão de ordem para que o colegiado só passasse a funcionar quando os senadores e servidores envolvidos com as investigações estivessem imunizados contra a doença.