O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, divulgou a carta de demissão que enviou ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No documento, o ex-chanceler agrade ao presidente e diz ter sido alvo de “uma narrativa falsa e hipócrita” sobre sua atuação na aquisição de vacinas contra a Covid-19. “Ergueu-se contra mim uma narrativa falsa e hipócrita, a serviço de interesses escusos nacionais e estrangeiros, segundo a qual  minha intuição prejudicaria a obtenção de vacinas”, disse Araújo, que continuou: “Exibi todos os fatos que desmentem as alegações, mas infelizmente, neste momento da vida nacional, a verdade não importa para as correntes que querem o poder – esse poder que, durante décadas em que o exerceram, só trouxe ao Brasil atraso, corrupção e desgraça”. Por fim, o ex-ministro disse ter colocado seu cargo à disposição em prol do “projeto de transformação nacional”. A divulgação do material foi feita no perfil oficial de Araújo no Twitter nesta segunda-feira, 29, horas após o governo federal confirmar sua saída do cargo.

A saída de Ernesto Araújo esteve em pauta nos últimos dias e aconteceu após pressão de parte do Congresso, principalmente do Senado. O chanceler vinha sendo criticado pela condução da política externa do Brasil, especialmente em questões como a da aquisição de vacinas contra a Covid-19. No Congresso, parlamentares creem que a atuação de Araújo prejudicou a interlocução do Brasil com países que poderiam fornecer imunizantes contra a doença. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também criticaram o chanceler. Diante deste cenário, Araújo pediu demissão na manhã desta segunda-feira e comunicou a decisão à cúpula do Congresso por interlocutores do Palácio do Planalto. No começo da noite, a Secom confirmou que o embaixador Carlos Alberto Franco França assumirá o comando da pasta.