Menos de uma semana depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ter subido o tom contra o governo federal citando “remédios políticos amargos”, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, nesta segunda-feira, 29, uma reforma ministerial com seis trocas. Na Secretaria de Governo da Presidência da República (SeGov), o general Luiz Eduardo Ramos será substituído pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF). Ramos substituirá Braga Netto como ministro-chefe do Casa Civil.

Uma das principais aliadas de Lira no Congresso, Flávia Arruda é casada com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, preside a Comissão Mista de Orçamento (CMO), e é filiada ao Partido Liberal (PL), de Valdemar Costa Neto, uma das principais legendas do chamado Centrão. Na SeGov, a parlamentar será responsável pela articulação política do governo federal.

Na prática, o Centrão passa, agora, a despachar de dentro do Palácio do Planalto. Isto porque a Secretaria de Governo tem status de ministério “palaciano”, ao lado da Casa Civil, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Secretaria-Geral. A reforma ministerial era uma demanda dos partidos da base aliada desde a eleição de Lira para a presidência da Câmara. Esta, porém, não é a primeira indicação que possui o apoio das lideranças partidárias destas siglas. Em fevereiro, Bolsonaro oficializou o nome do deputado João Roma (Republicanos-BA) como novo ministro da Cidadania. O parlamentar é próximo do presidente nacional de seu partido, Marcos Pereira (SP), e do presidente nacional do DEM, ACM Neto.