Às vésperas da instalação da CPI da Covid-19, o governo do presidente Jair Bolsonaro elaborou a estratégia de defesa para se defender de 23 possíveis acusações sobre a conduta do Executivo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Como a Jovem Pan mostrou, a Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, pasta comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos, encaminhou um e-mail para 13 ministérios, que deveriam levantar informações, elaborar respostas sobre os tópicos e encaminhá-las até a sexta-feira, 23. O documento foi recebido com certa surpresa por alguns dos integrantes do colegiado, que será instalado em uma sessão na manhã desta terça-feira, 27.

Autor do requerimento para a criação da CPI, que irá apurar ações e omissões do governo federal no combate à Covid-19, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi ao Twitter comentar o conteúdo da planilha. “O governo sabe quais foram suas práticas criminosas na pandemia. A lista elaborada pela própria Casa Civil, aponta alguns dos crimes a serem investigados pela CPI da Pandemia. Um governo que planeja e trabalha em sua defesa mas se omitiu na defesa da vida do povo”, afirmou. Sob condição de anonimato, outros três parlamentares avaliaram a estratégia do governo. “As investigações nem começaram oficialmente e o governo aparece com uma delação premiada”, ironizou um líder oposicionista. Um aliado do presidente da República diz que “não há nada de mais” na planilha, mas pondera que a Casa Civil deveria ter evitado o vazamento da informação. “Isso só dá munição para quem quer politizar a CPI”, acrescentou.

A Jovem Pan também apurou que um grupo de senadores irá se reunir, na noite desta segunda-feira, 26, para discutir de que maneira o documento elaborado pelo governo influencia o plano de trabalho que será votado e seguido ao longo da CPI, uma vez que a lista da Casa Civil é mais ampla do que a proposta apresentada pelo senador Alessandro Vieira. Além da definição dos primeiros passos do colegiado, na sessão desta terça-feira serão eleitos o presidente, o vice-presidente e o relator da comissão. Um acordo costurado pela maioria dos integrantes prevê que os postos sejam ocupados, respectivamente, pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL).