O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou na manhã desta quarta-feira, 19, sobre as recentes críticas que vem recebendo de Ciro Gomes (PDT), que desenvolve sua campanha eleitoral para a disputa presidencial de 2022. Em entrevista ao Valor Econômico, Ciro confirmou sua oposição a Lula: “Eu vou pra cima dele, é o maior corruptor da história brasileira”. Em resposta, o petista afirmou que não fará o “jogo rasteiro” de seu antigo aliado. Ciro Gomes foi Ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato do governo Lula. “Eu adoraria dizer que o Ciro é um amigo. Mas infelizmente ele não quer. Mas eu aprendi uma teoria com a minha mãe Dona Lindu: quando um não quer, dois não brigam. Não farei jogo rasteiro”, disse o ex-presidente. O ex-governador do Ceará, então, rebateu: “Lula, não é que você não queira brigar. É que para isso você usa bajuladores e seu gabinete do ódio. O que você não quer é debater o país, os projetos, as coisas que o PT fez no poder. Então você reduz a política a uma briga de amigos, a afetos”.

Em seguida, Ciro se colocou novamente como uma oposição à possível candidatura de Lula à Presidência em 2022. “Quero brigar contra a corrupção, a desindustrialização que você promoveu, a desigualdade que você manteve, os juros que seu governo pagou”, afirmou. O cearense ainda constatou que não gostaria de ter Lula como amigo. “Todo mundo sabe que você só considera amigo uma única pessoa no mundo: você próprio. Eu quero, sim, tratá-lo como oponente”, justificou. Em outro momento, Ciro atribuiu a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 a Lula. “Você é o responsável pela tragédia do desastrado Bolsonaro. Ou você assume que 70% dos eleitores de SP, RJ, MG, Sul, Norte e Centro Oeste que votaram no Bolsonaro são fascistas e gado como sua corte chama?”, questionou. “Quais são suas novas ideias? Qual seu verdadeiro projeto de nação? Se existir, aceito confrontá-los civilizadamente com o meu. Debato em qualquer dia, hora, meio ou território. Vamos debater o Brasil, não afetos pessoais”, finalizou o ex-deputado federal.