A deputada federal Carla Zambelli (PSL) considera que o senador Renan Calheiros está sendo parcial na condução dos depoimentos na CPI da Covid-19, que acontece no Senado Federal. A parlamentar, assim como outros governistas, se preparam para questionar a parcialidade do relatório na Justiça, assim que o documento for concluído e encaminhado ao Ministério Público. “Como a gente já percebeu que judicialmente vai ser complicado a troca do relator, então a ideia é depois que o relatório ficar pronto é questionar como ele foi construído. Não tenho dúvidas que o Renan Calheiros vai ser parcial em relação à construção do relatório. Quero estar errada, gostaria de estar errada, gostaria de nos surpreendemos. Então a ideia não é questionar na CPI, porque a CPI tem que acabar rapidamente”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta terça-feira, 18. “Infelizmente não tem o que fazer, a não ser que vire algo pior que já está”, completou, sinalizando que os parlamentares da base de apoio do governo querem compilar as falas de Calheiros que possam demonstrar a parcialidade. “A gente percebe que Renan quer dirigir resposta. Quando o depoente fala prejudicando o presidente ele aceita. Quando diz algo que deixa a entender que o presidente é inocente, que o presidente não teve culpa, que o governo não teve culpa, ele começa a ficar nervoso.”

Carla Zambelli também comentou sobre a sua presença no colegiado, que aconteceu durante depoimento do ex-ministro das Comunicações, Fabio Wajngarten. A parlamentar justificou que esteve na comissão porque, na semana anterior, a também deputada Jandira Feghali esteve na CPI para acompanhar a bancada feminina, que defendia uma cadeira a mais na comissão para as senadoras. Contrária ao tema, Zambelli afirmou que o “fato de ser mulher não indica que você deveria ter uma cadeira na CPI” e que, vendo a colega ser recebida no colegiado, considerou que também “tivesse direito de poder estar lá”. “A diferença é que mulheres que são governistas não são bem vistas, mas mulheres que são para poder transformar a comissão em um circo, para poder apoiar uma mulher que naquele momento queria usar o seu argumento de autoridade para participar da CPI, inclusive falar em primeiro lugar. Agora vai ter também uma sequência de falas de acordo com o gênero da pessoa. Bem complicado, vai ter a bancada dos trans [transexuais] dizendo que querem participar”, afirmou, destacando que pode voltar ao colegiado.

“Estarei lá em todos os momentos que apoiadores forem ameaçados”, ressaltou. Ainda sobre a atuação de Renan Calheiros no colegiado, a deputada federal criticou o “juízo de valor” do senador que, segundo ela, estava “colocando plaquinhas de quantas pessoas morreram” pela Covid-19 para poder “tripudiar em cima das mortes”. Carla Zambelli pontuou que é possível citar o número de doses de vacinas aplicadas e o total de recursos do governo federal destinados a Estados e municípios, bem como o montante pago pelo auxílio emergencial. “Há várias outras formas de olhar. Prefiro não fazer política em cima de cadáveres, Renan faz e tripudia em cima das famílias que perderam seus entes queridos.”