O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reúne na manhã desta quarta-feira, 24, no Palácio da Alvorada, os presidentes da Câmara e Senado, do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros e alguns governadores mais alinhados ao governo. O objetivo do encontro é fortalecer o ambiente de união nacional para prevenção e combate à coronavírus. A ideia é criar também um espaço para discussão de ações institucionais conjuntas. O problema é que os governadores que não compartilham do mesmo discurso do presidente Bolsonaro vão ficar de fora do encontro.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse na terça-feira, 23, que não foi convidado. Ele ressaltou que defende a necessidade de uma maior interação dos estados com o governo federal. Mas ressalta que a possibilidade parece remota porque Bolsonaro insiste nos confrontos. “Somos esperançosos, otimistas. Temos que trabalhar com a realidade, porém com otimismo. Agora não dá para viver na espera de um milagre. Infelizmente, a mudança de postura do presidente talvez apenas por um milagre”, lamentou Leite. Durante pronunciamento em rede de rádio e televisão realizado na noite de terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro apenas repetiu o que já vem dizendo nos últimos dias. Segundo o presidente, o Brasil é o 50º país que mais vacina na mundo e que até o fim do ano deveremos ser auto suficientes na produção dos imunizantes.

Bolsonaro também afirmou que o objetivo é fazer de 2021 o ano da vacinação dos brasileiros. “Estamos no momento de uma nova variante do coronavírus. Que, infelizmente, tem tirado a vida de muitos brasileiros. Não sabemos por qual tempo teremos que enfrentar essa doença, mas a produção nacional vai garantir que possamos vacinar os brasileiros todos anos independentemente das variantes que possam surgir.” O pronunciamento foi considerado morno pelos aliados do presidente. Ele apenas falou que fez um balanço da questão das vacinas. Não sinalizou, como já era esperado, qualquer tipo de mudança de postura do governo diante do avanço da Covid-19.

A expectativa é que a postura se repita nesta quarta-feira, durante a reunião no Palácio da Alvorada. A equipe do presidente preparou um balanço que será apresentado às autoridades, que têm avisado que esperam do encontro uma sinalização das ações que serão tomadas a partir de agora. O presidente mantém, no entanto, o discurso oficial. “Desde o começo, eu disse que tínhamos dois grandes desafios: o vírus e o desemprego. E, em nenhum momento, o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome”, disse Bolsonaro. O desafeto do presidente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que faltou vergonha e verdade ao presidente Jair Bolsonaro durante seu discurso. Mais uma vez, o que se viu em diversas capitais foram panelaços durante o pronunciamento do presidente.

Na terça-feira, em uma solenidade rápida, fechada e fora da agenda, tomou posse o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que vai participar da reunião juntamente com o general Eduardo Pazuello, que deixou o cargo. Ainda na terça, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio, negou o pedido do presidente, que entrou com ação direta de inconstitucionalidade contra os governadores da Bahia, Rio Grande do Sul e aqui do Distrito Federal por conta das medidas de isolamento adotadas pelos estados. Marco Aurélio alertou que o presidente não poderia ter assinado a ação e lembrou que o próprio tribunal já havia decidido que a gestão da crise sanitária era de todos: União, Estados e Municípios e que a União não pode dizer que o tribunal a proibiu de participar das ações. Em nota, a Confederação Nacional dos Municípios alertou que o Brasil vive hoje o maior colapso sanitário e hospitalar de sua história. Até por conta disso, defende que é hora de focar no presente, produzir resposta efetiva, colocar a evidência científica como norte e principalmente despolitizar a pandemia. Os prefeitos defendem a necessidade de um discurso mais unificado. Eles cobram que o presidente se empenhe pessoalmente na divulgação de uma campanha de comunicação que defenda as vacinas, o distanciamento social, o uso de máscaras e álcool gel.