A CPI da Covid-19 ouve, nesta quarta-feira, 2, a médica Luana Araújo. A infectologista foi escolhida pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, atuou por 10 dias, mas a nomeação não foi concretizada. Os parlamentares querem esclarecer se a decisão foi política, uma vez que Araújo era uma crítica do uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da doença. A convocação atende um pedido feito pelo senador Humberto Costa (PT-PE), titular da comissão. No requerimento, o petista afirma que a infectologista foi demitida “a mando do Presidente da República”.

O depoimento de Luana Araújo foi antecipado por decisão do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). Segundo apurou a Jovem Pan, o movimento faz parte de uma articulação do grupo majoritário da comissão, o G7, para ouvir, na terça-feira, 8, o ministro da Saúde. Para os parlamentares, a médica pode fornecer informações que serão utilizadas para confrontar Queiroga em sua segunda oitiva. O segundo depoimento de Queiroga será marcado por questionamentos sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro, que, nas últimas semanas, promoveu aglomerações em passeatas com motociclistas em Brasília e no Rio de Janeiro. Além disso, os senadores querem esclarecimentos sobre os protocolos sanitários e os riscos que a realização da Copa América podem trazer ao combate da pandemia no Brasil. O torneio será disputado por 10 seleções em quatro sedes (Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro) entre os dias 13 de junho e 10 de julho. Acompanhe a cobertura ao vivo da Jovem Pan: 

10:44 – Luana Araújo: ‘Discussão sobre cloroquina é delirante, esdrúxula e contraproducente’

Questionada pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), se havia discutido o tratamento precoce com o ministro Marcelo Queiroga, Luana Araújo afirmou que isto não ocorreu, porque o uso de medicamentos como este é “delirante, esdrúxula e contraproducente”.

10:37  – ‘Não me foi dada uma justificativa para a minha saída’, diz Luana Araújo 

Luana Araújo afirmou que não recebeu uma justificativa para a sua saída. “O que me foi dito é que existiam um período entre a criação da secretaria e o apostilamento dos cargos. Isso deveria ser feito antes da nomeação no Diário Oficial. Me disseram que sairia na segunda, mas não saiu. Sairia na terça, mas não saiu. Na quarta, eu já tinha entendido o que tinha acontecido. Na quarta a noite, fui chamada e comunicada de que, com pesar, a nomeação não sairia”, disse. Questionada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se sua posição científica influenciou a decisão do governo Bolsonaro, a infectologista disse: “Não sei, senador”. Nas redes sociais, a médica disse que o uso de cloroquina e de medicamentos ineficazes para o tratamento da Covid-19 era um “neocuranderismo”.

10:32 – ‘Maiores talentos não estavam à disposição para trabalhar nesta secretaria’, diz Luana Araújo

Luana Araújo afirmou que a “politização esdrúxula” afasta especialistas importantes de trabalharem no Ministério da Saúde. “Os maiores talentos que temos para trabalhar não estavam à disposição para trabalhar nesta secretária”, disse. “Não estavam exatamente à disposição ou não queriam trabalhar?”, questionou o presidente, Omar Aziz. “Não queriam trabalhar nesta secretaria”, complementou a infectologista.

10:26 – ‘Encontrei um ministro proativo, orientado pelos valores corretos e científicos’, diz Luana Araújo 

Questionada pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o diagnóstico feito nos 10 dias em que esteve à frente da secretaria do Ministério da Saúde, Luana Araújo afirmou que encontrou um ministro “proativo, competente e capaz, orientado pelos valores corretos e científicos”.

10:23 – ‘É perigosa uma mistura de falta de informação, desespero e arrogância. Pode ser letal’, diz Luana Araújo

A médica Luana Araújo finalizou sua exposição inicial dizendo que “é perigosa uma mistura de falta de informação, desespero e arrogância. Pode ser letal”. A infectologista foi escolhida por Queiroga para um cargo no Ministério da Saúde, mas a nomeação foi barrada pelo Planalto.

10:15 – ‘Pleiteei autonomia, não insubordinação e anarquia’, diz Luana Araújo 

Barrada pelo Planalto para cargo no Ministério da Saúde, a médica Luana Araújo disse que pleiteou “autonomia, não insubordinação”. Ela afirmou, em sua exposição inicial, que precisaria de “autonomia para agir”. “Ciência não tem lado. É bem ou mal feita”, ponderou. Ela foi escolhida pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, mas a nomeação não foi oficializada.

10:11 – Luana Araújo inicia sua exposição

A médica Luana Araújo faz sua exposição inicial. Ele terá até 15 minutos de fala.

09:54 – Governista pede que governador do Amazonas seja ouvido na terça-feira, 8 

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), aliado do Palácio do Planalto, pediu ao presidente Omar Aziz (PSD-AM) que o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), seja ouvido pela comissão na terça-feira, 8. Lima foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira, 2. A PF investiga fatos relacionados a possíveis práticas de crimes de fraude a licitação, desvio de recursos públicos e pertencimento a organização criminosa.

09:47 – Suplente diz que Nise Yamaguchi foi ‘linchada virtualmente’ por depoimento à CPI

O senador Marcos do Val (Podemos-ES), suplente da comissão, disse que a médica Nise Yamaguchi, que depôs na segunda-feira, 1º, foi “linchada virtualmente” em razão de seu depoimento à CPI da Covid-19. Para o parlamentar, a oncologista e imunogolista foi “humilhada” e “constrangida” pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico de formação.

09:41 – Omar Aziz abre a sessão 

Presidente da CPI da Covid-19, o senador Omar Aziz (PSD-AM) abriu há pouco a sessão desta quarta-feira. Os senadores vão ouvir a médica Luana Araújo.