Com dois surtos de meningite em escolas de educação infantil, prefeitura de Caxias alerta para baixa cobertura vacinal

Katy Meira
Katy Meira

Seis crianças foram diagnosticadas com a doença e quatro delas estão hospitalizadas, segundo o poder público

Caxias do Sul registra dois surtos de meningite em escolas de educação infantil. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que divulgou a informação nesta terça-feira (25), foram registrados seis casos da doença nas escolinhas: das seis crianças, quatro estão hospitalizadas em quadro estável. As outras duas chegaram a ser hospitalizadas, mas já tiveram alta. Outros casos suspeitos são acompanhados pelo município, sendo que causa da doença ainda não está confirmada, segundo a SMS. Até o dia 4 deste mês, a cidade havia registrado três casos, de uma criança de um ano e dois adultos. Todos tiveram alta.

Com três casos, Caxias ainda precisa vacinar 10% do público-alvo contra a meningite C Com três casos, Caxias ainda precisa vacinar 10% do público-alvo contra a meningite C
Menino de Caxias que teve meningite estrela série documental sobre a doençaMenino de Caxias que teve meningite estrela série documental sobre a doença
Vacina é a melhor maneira de prevenir meningiteVacina é a melhor maneira de prevenir meningite
Conforme a secretaria, assim que as primeiras suspeitas desses surtos foram notificadas, as escolas foram orientadas a limpar os prédios e reforçar medidas de higiene geral. As direções também devem afastar e comunicar à pasta sobre novos casos. As aulas não foram suspensas, mas cada turma deve permanecer isolada uma da outra. Outra orientação foi para que as escolas façam a revisão das cadernetas de vacinação de todos os alunos e que aqueles com doses em atraso sejam levados a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para serem imunizados.

A vacinação é a estratégia mais eficaz para evitar os principais tipos de meningite e a prefeitura de Caxias alerta para baixa cobertura vacinal contra meningite no município (veja números abaixo) nos últimos anos. A vacina faz parte do calendário de rotina e está disponíveis por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) nos postos de saúde. Por isso, a secretária reforça a importância da vacina, especialmente em função do aumento de casos de meningite imunoprevenível pelas vacinas. Além dos seis casos em escolinhas que aguardam definição da causa, há sete casos de meningite imunoprevenível registrados em 2022, três em 2021 e dois em 2020. Em 2018 e em 2019 ocorreram cinco casos em cada ano e, em 2017 e 2016, três em cada ano.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) ampliou temporariamente o público-alvo de duas das vacinas que protegem contra meningite devido à baixa cobertura em todo o país. A vacina meningocócica C deve ser aplicada em crianças de até 10 anos que não foram vacinadas anteriormente. A faixa etária habitual para essa vacina é para crianças de até um ano, que recebem duas doses (aos três e cinco meses de idade) e também um reforço, com um ano de idade. Essa vacina também foi disponibilizada temporariamente para profissionais de saúde.

Além disso, a vacina meningocócica ACWY (conjugada) está disponível no Calendário Nacional de Vacinação para adolescentes de 11 e 12 anos. Contudo, essa também foi ampliada temporariamente pelo Ministério até junho de 2023 e, assim, adolescentes de 13 e 14 anos também podem se imunizar.

Sintomas da doença


A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e protozoários, bem como por traumatismos.

As meningites provocadas por vírus costumam ser mais leves. Os sintomas se parecem com os das gripes e resfriados. A doença ocorre, principalmente, entre as crianças, que têm febre, dor de cabeça, dor na barriga, um pouco de rigidez da nuca, falta de apetite e irritação. Às vezes ocorre após outra doença viral, como diarreia ou gripe.

Já as meningites bacterianas são mais graves e têm como sintomas febre alta, irritabilidade ou apatia, mal-estar, vômitos, dor forte de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo.

Calendário de rotina
BCG: protege contra as formas graves da tuberculose, inclusive a meningite tuberculosa.
Esquema vacinal: dose única (ao nascer)

Penta: protege contra doenças invasivas como meningite, difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.
Esquema vacinal: 1ª dose aos 2 meses de idade, 2ª dose aos 4 meses de idade e 3ª dose aos 6 meses de idade

Pneumocócica 10-valente (Pneumo 10)
Esquema vacinal: 1ª dose aos 2 meses de idade; 2ª dose aos 4 meses de idade e reforço aos 12 meses de idade

Meningocócica C
Esquema vacinal: 1ª dose aos 3 meses de idade; 2ª dose aos 5 meses de idade e reforço aos 12 meses de idade. Também está disponibilizada, até fevereiro de 2023, para crianças até 10 anos de idade não vacinadas e para trabalhadores da saúde

Meningocócica ACWY (Conjugada) – protege contra a doença meningocócica causada pelos sorogrupos A, C, W e Y.
Esquema vacinal: uma dose em adolescentes de 11 e 12 anos de idade, a depender a situação vacinal. Até junho de 2023 adolescentes de 13 e 14 anos de idade também poderão se vacinar

Coberturas vacinais
BCG
2018: 110,68%
2019: 94,23%
2020: 103,72%
2021: 83,79%
2022 (parcial): 52,07%

Penta
2018: 91,79%
2019: 79,29%
2020: 109,93%
2021: 87,94%
2022 (parcial): 48,32%

Pneumocócica 10-valente (Pneumo 10)
2018: 83,92%
2019: 99,67%
2020: 67,60%
2021: 67,20%
2022 (parcial): 41,39%

Meningocócica C
2018: 74%
2019: 126,75%
2020: 95,17%
2021: 84,08%
2022 (parcial): 49,16%

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