A União Europeia decidiu nesta segunda-feira, 22, sancionar quatro autoridades da China por graves violações dos direitos humanos contra à minoria muçulmana Uighur na região de Xinjiang. O bloco econômico não tomava uma atitude desse tipo contra a potência asiática desde o massacre da Praça da Paz Celestial em 1989. O alvo das sanções são funcionários do governo de Xi Jinping que a União Europeia considera serem responsáveis diretamente pelas prisões arbitrárias em grande escala, pela repressão religiosa e pelo tratamento degradante de pessoas dessa etnia, que são vigiadas e doutrinadas. Eles ficam, assim, proibidos de entrar no território comunitário do bloco e acessar bens e ativos que tenham na região. Em resposta, a China imediatamente acusou da União Europeia de “difundir mentiras” e anunciou medidas restritivas contra cinco membros do Parlamento Europeu, que não poderão entrar no território chinês e nem fazer negócios com empresas do país. O governo de Xi Jinping alertou, ainda, que novas medidas serão tomadas caso o bloco econômico não corrija o seu “erro”. Horas depois, os Estados Unidos também anunciaram sanções contras duas autoridades chinesas ligadas ao que classifica como “genocídio” da minoria Uighur. A expectativa é que o Reino Unido adote medidas semelhantes ainda nesta segunda-feira, 22. Embora tenham um caráter simbólico, essas ações representam um endurecimento da comunidade internacional sobre a China.

Estima-se que a China já prendeu um milhão de homens e mulheres da etnia Uighur nos campos de detenção de Xinjiang desde 2015. Documentos do governo obtidos pela imprensa internacional mostram que essas minorias são presas principalmente por orar, usar véu no rosto, manter a barba longa e ter mais filhos do que o permitido. As informações corroboram as acusações levantadas pelos grupos de direitos humanos, que afirmam que o presidente Xi Jinping está minando principalmente a liberdade religiosa dos uigures. Originária da Ásia Central, a etnia segue o islamismo sunita e vive hoje principalmente no noroeste da China, onde é alvo de constantes perseguições e monitoramentos. Apesar do governo afirmar que os campos de detenção servem para “reeducar” os uigures e outras minorias, há denúncias de que esses locais são palco para punições, doutrinações e até esterilizações forçadas. Mulheres uigures que ficaram presas nos campos de detenção também relatam terem sido estupradas sistematicamente por homens de terno mascarados em um quarto sem câmeras de segurança.