Benjamin Netanyahu deve sofrer a sua primeira derrota eleitoral desde 1999. No cargo de primeiro-ministro de Israel há 12 anos, o político é membro do partido de centro-direita Likud, que no último pleito não obteve um número de parlamentares suficiente para governar o país. Netanyahu passou cerca de um mês tentando formar alianças para chegar aos 61 assentos necessários, mas não obteve sucesso. Por esse motivo, o presidente Reuven Rivlin deu a Yair Lapid, do partido de centro Yesh Atid, a oportunidade de tentar chegar a uma maioria parlamentar até quarta-feira, 2. A três dias do prazo final, o político está próximo de conseguir formar um governo de coalizão com políticos de direita, centro e esquerda após Naftali Bennett, do partido de direita religioso e ultranacionalista Yamina, anunciar na noite deste domingo, 31, que fará parte desse acordo entre rivais para destituir Netanyahu. De acordo com a imprensa israelense, os políticos estariam negociando uma rotatividade na chefia do governo: Bennett ocuparia o cargo de primeiro-ministro nos primeiros dois anos e Lapid o substituiria nos outros dois. Netanyahu criticou a decisão do Yamina, acusando o partido de trair seus eleitores e os valores da direita.

Apesar do apoio de Bennett já ter representado um grande avanço na formação de um governo de coalizão, Yair Lapid ainda está negociando com o político Gideon Saar, do partido de direita Nova Esperança, e com Benny Gantz, do centrista Azul e Branco, para chegar à maioria mínima de 61 cadeiras no parlamento de 120 assentos. Tudo indica que ele será bem-sucedido nesses acordos, visto que Saar e Gantz já demonstraram estar dispostos a retirar o atual primeiro-ministro, que eles acusam de corrupção. A coalizão deve buscar ainda o apoio do Lista Unida e do Raam, dois partidos que presentam a população árabe de origem palestina que vive em Israel e possuem agendas completamente diferentes do Yesh Atid. Caso Lapid não tenha sucesso, Israel deverá realizar o seu quinto processo eleitoral desde 2019.