O ativista Stepan Latypov utilizou uma caneta para perfurar a sua própria garganta enquanto era julgado por um tribunal de Minsk na última quinta-feira, 27. De acordo com a Viasna, uma organização de direitos humanos de Belarus, o preso político relatou durante o seu testemunho que foi torturado por várias semanas sob custódia polícia e que seus familiares e amigos sofreram ameaças. “As autoridades penitenciárias juraram para mim que, se eu não admitisse minha culpa, processos criminais seriam abertos contra meus parentes e vizinhos”, contou Latypov. Ele acrescentou que passou 51 dias na “cabana da imprensa”, termo usado por presidiários para descrever uma cela em prisões bielorrussas onde acontecem espancamentos e torturas. Na sequência, o homem de 41 anos subiu em um banco e, em uma forma de protesto, golpeou o próprio pescoço. Vídeos postados no Twitter mostram ele sangrando e aparentemente inconsciente dentro da jaula onde estava sendo mantido durante a sessão e, mais tarde, sendo carregado em uma maca para fora do tribunal. Stepan Latypov foi detido em setembro de 2020 por ter se envolvido em protestos contra a repressão policial. Ela está sendo acusado de organizar manifestações em massa que violam a ordem pública, resistir à ação policial e realizar fraude em larga escala, mas organizações de direitos humanos defendem que a prisão possui motivação política.

No último dia 23, Belarus ganhou as manchetes internacionais por obrigar um voo da Ryanair que ia da Grécia a Lituânia a pousar na capital Minsk. Após o desembarque dos passageiros, o jornalista bielorrusso Roman Protasevich e a sua namorada russa Sofiya Sapega foram presos. O governo do presidente Alexander Lukashenko alega que a aeronave teria sido desviada devido à uma ameaça de bomba comunicada por e-mail pelo movimento islâmico palestino Hamasque já negou qualquer envolvimento com o incidente. Porém, a comunidade internacional acusa que a ação tinha como objetivo prender Protasevich. Em um vídeo divulgado no dia 24, o jornalista aparece com ferimentos no rosto e confessa ter cometido crimes ao organizar “motins em massa em Minsk”. O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos acredita que essas falas do foram obtidas sob coação e busca obter garantias de que o jornalista e sua namorada não serão submetidos à tortura. como supostamente aconteceu a centenas de manifestantes que participaram pacificamente em protestos contra as eleições fraudulentas de Belarus em 2020. A mãe do jornalista afirma ter recebido um telefonema das autoridades bielorrussas informando que seu filho havia sido hospitalizado e que sua condição era crítica. “Roman tem problemas cardíacos, razão pela qual não prestou serviço no Exército. Em uma ocasião ele esteve em um estado de pré-infarto. Se lhe fizeram algo, pode ter causado um ataque cardíaco”, afirmou ela à emissora de televisão polonesa Belsat.