Encarregado de formar o novo governo de Israel, o líder da oposição Yair Lapid anunciou nesta quarta-feira, 2, que conseguiu fechar um pacto com outras correntes políticas para cumprir esse objetivo e desbancar assim o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. O novo governo de coalizão, composto por partidos de quase todos os arcos ideológicos – incluindo um partido árabe pela primeira vez – será liderado pelo ultranacionalista religioso Naftali Benet durante os dois primeiros anos de mandato e pelo centrista secular Lapid nos dois posteriores. Pouco antes da meia-noite, quando o prazo para formar um governo terminou, Lapid, líder do partido centrista Yesh Atid, disse ao presidente israelense, Reuven Rivlin, que havia chegado a um pacto governamental que envolveria sete outros partidos da oposição. “Eu lhe prometo, senhor presidente, que este governo trabalhará para servir a todos os cidadãos de Israel”, disse Lapid, acrescentando que fará tudo ao seu alcance “para unir todas as partes da sociedade israelense”. O líder centrista também informou sobre o acordo ao presidente do Knesset (Parlamento), Yariv Levin, e pediu que ele convoque uma sessão especial o mais rápido possível para realizar a posse do novo governo, o que pode ocorrer nos próximos 12 dias.

Além do Yesh Atid e do Yamina, o partido liderado por Benet, o próximo governo será composto pela legenda ultradireitista Israel Nosso Lar, a direitista Nova Esperança e a centro-direitista Azul e Branco, além do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, o Meretz, de esquerda, e o islamita Raam. Esses oito partidos contam com 62 assentos em um Parlamento de 120, o que significa a maioria suficiente para governar, mas por meio de uma coalizão instável. Soma-se a isso a diversidade ideológica das partes, que atrasou o acordo alcançado hoje até o último minuto e pode continuar sendo um fator problemático nos dias que antecedem a ratificação do novo governo. Embora todos os líderes dos partidos membros tenham assinado hoje o documento fundador do novo governo, os acordos entre eles são de natureza política e não os vinculam legalmente, de modo que ainda podem reverter sua posição ou mesmo votar contra a ratificação durante a posse. Se essa coalizão assumir o poder, Benjamin Netanyahu deixaria o cargo de primeiro-ministro após 12 anos e passaria a liderar a oposição através de seu partido, o Likud.

*Com informações da EFE