O Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira, 28, a realização de uma investigação internacional sobre supostos crimes de guerra cometidos durante o recente conflito entre Israel e a Faixa de Gaza. A resolução também determina que sejam analisadas todas as “causas profundas das tensões recorrentes”, como “discriminação” e “repreensão sistemática” baseadas na “identidade nacional, étnica, racial ou religiosa”. A medida recebeu 24 votos a favor, 9 contra e 14 abstenções, incluindo a do Brasil. O movimento islâmico palestino Hamas afirmou que suas ações se configuram como uma “resistência legítima” e pediu que sejam tomados “passos imediatos para punir” Israel. Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu criticou a decisão, dizendo que a entidade abranda “uma organização terrorista genocida”, e afirmou que não irá cooperar com a investigação. “A vergonhosa decisão de hoje é mais um exemplo da evidente obsessão anti-Israel do Conselho de Direitos Humanos da ONU”, completou. Entre os dias 10 e 21 de maio, os bombardeios causaram a morte de 12 israelenses e 254 palestinos, entre os quais 67 eram crianças.

Na quinta-feira, 27, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que as ofensivas “lançam dúvidas sobre a conformidade israelense com com os princípios de distinção e proporcionalidade do direito humanitário internacional”. Ela explicou que, enquanto Israel possui “o Domo de Ferro e forças militares profissionais para defendê-los, os palestinos não têm proteção contra ataques aéreos contra uma das áreas mais densamente povoadas do mundo”. A ex-presidente do Chile lembrou que, além das vítimas, os ataques resultaram na destruição em larga escala de instalações civis, incluindo casas, escritórios de organizações humanitárias, centros médicos e meios de comunicação. “Apesar da afirmação de Israel de que muitos destes edifícios abrigavam grupos armados ou eram utilizados para fins militares, não vimos qualquer prova nesse sentido”, frisou Bachelet. Em referência ao Hamas, a ex-presidente reconheceu que “é também uma violação do direito internacional colocar meios militares em áreas civis densamente povoadas, ou atacar a partir delas”. Porém, indicou que “as ações de uma das partes não isentam a outra das suas obrigações”.