Israel deve anunciar ainda nesta quarta-feira, 24, o resultado das suas eleições parlamentares que determinarão o formato das relações entre o país e a Palestina. As pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das seções na terça-feira, 23, indicam que o partido do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o Likud, deve conquistar 53 cadeiras no Knesset, o parlamento israelense. No entanto, para formar um governo é preciso que um partido ou uma aliança política consigam ao menos 61 dos 120 assentos parlamentares. A expectativa, portanto, é que as autoridades eleitorais anunciem que não houve um vencedor e que o Likud comece então a articular parcerias com outros partidos de direita. Nesse sentido, as chances de Benjamin Netanyahu se manter no poder são grandes porque o partido de direita Yamina e o partido religioso Sionista, ambos aliados do Likud, conquistarão respectivamente 7 e 6 cadeiras no parlamento, de acordo com o levantamento. A preocupação é que essa aliança possa gerar uma pressão dos ultraortodoxos e acabe desmantelando progressos importantes nos direitos das mulheres e da causa LGBTQIA+.

O desempenho dos opositores do atual primeiro-ministro também parece não ter sido suficiente para tirar Netanyahu do poder. As pesquisas de boca de urna apontam que o centrista Yesh Atid, principal rival do Likud, conquistará 16 cadeiras, a maior quantidade entre os demais concorrentes: a Lista Unida Árabe (8), o centrista Azul e Branco (7), o esquerdista Meretz (6), o de extrema-direita Israel Nosso Lar (6) e o recém-criado Nova Esperança (5). Já o partido islâmico Raam não conseguiria votos suficientes para colocar um deputado no parlamento. A oposição defende que o primeiro-ministro não deveria permanecer no cargo por ser acusado de corrupção. Além disso, pesa o fato de Benjamin Netanyahu, de 71 anos de idade, estar no poder ininterruptamente desde 2009, tendo cumprido um mandato anterior de três anos no final da década de 1990. Enquanto isso, a sua campanha eleitoral se concentrou no desempenho da campanha de vacinação contra a Covid-19, na qual Israel se tornou líder mundial.

Conflito na Faixa de Gaza

Nesta terça-feira, 23, o movimento islâmico Hamas disparou um foguete da Faixa de Gaza em direção à cidade de Bersheva, onde Netanyahu tinha estado horas antes para pedir votos para o Likud. O projétil não deixou feridos nem causou qualquer dano material, ativando apenas os alarmes de ataque aéreo em áreas desabitadas. Segundo o site de notícias Ynet, essa foi a primeira vez que um foguete é disparado da Faixa de Gaza durante um dia de eleição. Em retaliação, horas depois Israel ordenou que caças e helicópteros atacassem uma instalação de fabricação de projéteis e um posto militar do Hamas.