Enquanto diversos países ordenaram o fechamento das escolas por causa da pandemia do novo coronavírus, o Nepal decidiu interromper o setor da educação pela primeira vez em sua história devido à poluição. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, 29, depois que uma nuvem cinzenta envolveu a capital Kathmandu, que já é considerada uma das cidades mais poluídas de todo o mundo. Durante o final de semana, o índice de qualidade do ar chegou a 300, o nível mais alto de alerta. A quantidade de partículas está causando ardência e coceira nos olhos e narizes dos moradores, que também sofrem com a diminuição da visibilidade. Na sexta-feira, 26, as atividades do único aeroporto internacional do Nepal teve que ser temporariamente suspensas porque não era possível enxergar mais de um quilômetro a frente. A expectativa é que as instituições de ensino permaneçam fechadas pelo menos o dia 2 de abril, período no qual o governo também recomenda que as pessoas permaneçam em casa.

Especialistas afirmam que as queimadas em diferentes partes do país, combinadas com a estação seca e a estagnação das condições atmosféricas, sem chuvas ou rajadas de vento, causaram a nuvem de poeira que atinge Kathmandu. A capital registra em média 34 milímetros de precipitação em março, mas teve pouco mais de 6 milímetros desde o primeiro dia do mês. A esperança é que as previsões do tempo se confirmem e uma tempestade “limpe” a região até quinta-feira, 1. No entanto, o governo já sofre com o problema da poluição há anos. Espremido entre a China e a Índia, os dois países que mais poluem no mundo, o Nepal enfrenta uma névoa escura que paira continuamente sobre os seus 30 milhões de habitantes, aumentando o risco de problemas de saúde como câncer, derrame cerebral, asma e hipertensão. Recentemente, a China foi atingida pela pior tempestade de areia da última década, que também elevou a poluição ao nível máximo na capital Pequim.