Líderes de 23 países se uniram para propor um tratado que tenha como objetivo preparar o mundo para futuras pandemias. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, estão entre os mandatários que assinaram o artigo divulgado nesta terça-feira, 30. “Haverá outras pandemias e outras grandes emergências de saúde. Nenhum governo ou agência multilateral pode enfrentar essa ameaça sozinho (…). Acreditamos que as nações devem trabalhar juntas para um novo tratado internacional para preparação e resposta a uma pandemia”, defende o texto. Os líderes envolvidos na iniciativa também se comprometeram a compartilhar informações entre si e “garantir o acesso universal e equitativo a vacinas, medicamentos e diagnósticos seguros, eficazes e acessíveis para esta e futuras pandemias”.

A proposta de tratado também teve a adesão dos presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, da Coréia do Sul, Moon Jae-in, da Indonésia, Joko Widodo e do Chile, Sebastián Piñera. No entanto, ficaram de fora o Brasil e alguns outros países importantes no cenário internacional, como os Estados Unidos, a China, a Rússia, o Japão e a Índia. Apesar disso, Tedros Adhanom Ghebreyesus garantiu que todos as nações serão incluídas nas futuras discussões sobre o tratado mundial. “Há um apoio bastante significativo, não apenas por meio do artigo, mas também por meio do contato bilateral que temos com todas as nações do mundo, incluindo nações que não assinaram este artigo, mas que estão reagindo de forma bastante positiva à ideia”, completou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Desigualdade na distribuição de vacinas contra Covid-19

A sugestão de tratado está sendo feita em um momento que a Organização Mundial da Saúde (OMS) denuncia a distribuição desigual de vacinas contra a Covid-19 pelo mundo. Mais de 50% das 656 milhões de doses administradas em todo o planeta foram aplicadas em países de alta renda enquanto as nações mais pobres receberam apenas 0,1% dos imunizantes. Ao mesmo tempo, alguns países e blocos comerciais ricos estão em conflito pelo fornecimento das vacinas. A União Europeia, por exemplo, acusa a farmacêutica AstraZeneca de estar priorizando o Reino Unido em suas entregas de imunizantes.