O presidente dos Estados UnidosJoe Biden, anunciou uma série de ações executivas que dificultam o acesso às chamadas “armas fantasma”, que por serem fabricadas de maneira caseira, não possuem números de série que permitem que elas sejam rastreadas. Além disso, o democrata lançou incentivos para os estados removerem a permissão de porte de armas a pessoas que representem um risco para si mesmas e para a sociedade, anunciou um acompanhamento maior sobre o tráfico de armas de fogo e lançou investimentos em programas de intervenção em comunidades que tenham altos índices de violência. As medidas estão relacionadas à onda de tiroteios em massa, ou seja, que resultam em quatro ou mais vítimas, no país. Só no último mês, houve nove incidentes desse tipo nos Estados Unidos. “A violência armada neste país é uma epidemia e um constrangimento nacional”, argumentou Biden em pronunciamento nesta quinta-feira, 8. “O trabalho de qualquer presidente é proteger o povo americano, quer o Congresso aja ou não. Vou usar todos os recursos à minha disposição para manter o povo americano protegido da violência armada. Mas há muito mais que o Congresso pode fazer para ajudar nesse esforço”, completou.

O presidente já tinha manifestado o seu desejo de ampliar as verificações de antecedentes necessárias para comprar armas e até proibir a venda de semiautomáticas no dia 28 de março. No entanto, o democrata enfrenta resistência entre os republicanos. Algumas reformas na lei de armamento já tinham sido aprovadas pela Câmara dos Deputados, majoritariamente democrata, mas não passaram pelo Senado, de maioria republicana, ferrenhamente contrários a essas propostas. A fabricação de armas de assalto, especificamente, já tinha se tornado ilegal em 1994,  em um movimento que teve a participação ativa de Biden quando ele ainda era senador do estado de Delaware. No entanto, a medida acabou expirando em 2004 e não foi renovada desde então.

A recorrência de tiroteios nos Estados Unidos está chamando atenção para o recorde de vendas de armas no ano passado, durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a empresa de consultoria Small Arms Analytics, quase 23 milhões de armas de fogo foram compradas em 2020, um aumento de 65% em comparação com 2019. O fenômeno pode estar relacionado ao assassinato de George Floyd, o início das restrições para conter a Covid-19 e a tensão da disputa presidencial, momentos que geraram agitação política e social nos Estados Unidos. O salto nas vendas de armas também continuou em janeiro desse ano, quando houve a invasão ao Capitólio e a posse de Joe Biden, cujo Partido Democrata geralmente é a favor de uma limitação da posse de armas. Só no primeiro mês de 2021, duas milhões de armas de fogo foram vendidas, um aumento de 75% em relação ao mesmo período de 2020, segundo a Federação Nacional do Tiro Esportivo.