A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, divulgou nesta terça-feira, 23, uma carta de sete páginas escrita à mão em que afirma estar sendo vítima de torturas e abusos na prisão. Logo no início do texto, que foi compartilhado nas redes sociais da política, Áñez chama o governo do atual presidente Luis Arce de “ditadura“. “Essa é uma luta pela democracia, e vamos com ela até o fim”, escreveu. “Eu sou mais uma [vítima], mas estou serena e aguentando enquanto meu corpo deixar.” Sobre a acusação de que ela teria planejado um golpe de estado contra o ex-presidente Evo Morales, Áñez escreveu: “Hoje a ditadura quer me atribuir crimes que eu não cometi. Nunca fui terrorista. Assumi a presidência pela sucessão constitucional, para pacificar a Bolívia. Não houve golpe, houve fraude”. A ex-presidente interina também denuncia um suposto descaso com o seu estado de saúde. “Levaram minha liberdade e agora atentam contra minha saúde. Decidiram não deixar que eu fosse examinada por médicos independentes. Mesmo indo contra uma ordem judicial que pede meu traslado imediato para uma clínica”, afirmou.

Jeanine Áñez está se referindo ao fato da Justiça da Bolívia ter autorizado sua transferência para uma clínica na última sexta-feira, 19, decisão que foi anulada no dia seguinte sob o argumento de que um outro presídio possuía estrutura médica suficiente para acompanhar a saúde da política. Ela foi então transferida Centro de Orientação Feminina de Obrajes para a penitenciária de Miraflores, ambos em La Paz. “Eu não confio nos médicos do governo, eles são parte desse sistema de abusos e repressão. Eles já mostraram que estão dispostos a pôr minha vida em risco. Se algo acontecer com minha saúde, eu responsabilizo a: Luis Arce, Eduardo del Castillo, Jhonny Aguilera, Iván Lima, e autoridades do regime penitenciário”, completou. Anteriormente, o presidente da Assembleia Permanente dos Direitos Humanos da Bolívia, Amparo Carjaval, relatou que a política está em “estado de isolamento” e se pergunta “o porquê de comer”. Além disso, a advogada Norka Cuéllar disse que Áñez sofreu um desmaio causado por um aumento na pressã e teve que receber oxigênio suplementar.