O corpo eleitoral do Irã desqualificou 585 candidatos para as eleições presidenciais de 18 de junho, incluindo quase todos os moderados e reformistas. Também ficou de fora o ex-presidente do parlamento Ali Larijani, moderado-conservador que era um dos principais nomes para substituir o atual presidente Hassan Rouhani, impedido constitucionalmente de buscar um terceiro mandato. Os vetos acontecem em um momento em que a República Islâmica enfrenta um crescente descontentamento interno, e tendem a facilitar a vitória do religioso ultraconservador Ebrahim Raisi, que foi derrotado por Rouhani no pleito de 2017 e é o atual chefe do Judiciário do Irã. A decisão partiu de um Conselho Guardião composto por seis clérigos nomeados pelo líder supremo Ali Khamenei e seis juristas aprovados por Raisi que, por sua vez, também foi indicado por Khamenei. Os únicos sete candidatos aprovados representam a escolha política mais restrita nos 40 anos da história eleitoral iraniana, segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal. Por esse motivo, dissidentes e críticos já estão pedindo um boicote à votação, que além de Ebrahim Raisi terá entre os candidatos o ex-negociador nuclear Saeed Jalili, o chefe do banco central Abdolnaser Hemmati, o veterano da Guarda Revolucionária Mohsen Rezaei, o ex-vice-presidente Mohsen Mehralizadeh,  o vice-presidente do parlamento, Amir Hossein Ghazizadeh Hashemi e o legislador Alireza Zakani.

Nesta quarta-feira, 26, o presidente Hassan Rouhani pediu ao aiatolá Ali Khamenei uma maior “competição” nas eleições para seu sucessor no mês que vem. Em uma reunião do gabinete transmitida pela televisão, ele alertou para o risco de uma baixa participação eleitoral, disse que a “continuidade da legitimidade” do sistema estava em jogo e defendeu que “o coração das eleições é a competição”. “Se você tirar isso, vira um cadáver”, acrescentou. Obrigado a deixar o poder esse ano por já ter cumprido dois mandatos consecutivos, Rouhani conquistou o cargo por meio de uma aliança com forças reformistas e moderadas e foi um grande defensor do fim do isolamento internacional do Irã. Em 2014, ele e Barack Obama assinaram o acordo nuclear que foi quebrado pelo governo de Donald Trump e está sendo agora renegociado por Joe Biden.