A Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, está acusando Israel de cometer perseguição contra os árabes e apartheid, ambos considerados crimes contra a humanidade. A entidade afirma que o país do Oriente Médio possui uma política que mantém o domínio dos judeus israelenses sobre os palestinos. O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou o relatório de 213 páginas, que chamou de “absurdo e falso”, e defendeu que a Human Rights Watch possui uma “agenda anti-israelense de longa data” que não possui “nenhuma conexão com os fatos ou a realidade local”.  Já o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, saudou o parecer da organização. “É urgente que a comunidade internacional intervenha, inclusive assegurando-se de que seus Estados, organizações e empresas não contribuam de forma alguma para a execução de crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, defendeu.

A ONU considera que a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, onde vivem quase cinco milhões de palestinos, estão ocupadas por Israel desde a guerra de 1967. O argumento da Human Rights Watch é que nesses territórios as autoridades israelenses privilegiam metodicamente os judeus e discriminam os palestinos. “As autoridades desapropriaram, confinaram, separaram à força e subjugaram os palestinos em virtude de sua identidade em vários graus de intensidade. Em certas áreas (…) essas privações são tão grandes que equivalem aos crimes contra a humanidade de apartheid e perseguição”, diz o relatório. Apesar do apartheid ter sido uma política de segregação racial aplicada na África do Sul de 1948 a 1991, ele é o único termo jurídico universal para definir uma discriminação institucional particularmente severa. A Convenção de 1973 define o regime como “atos desumanos cometidos com o propósito de estabelecer e manter o domínio de um grupo racial de pessoas sobre qualquer outro grupo racial de pessoas e oprimindo-os sistematicamente”.