O presidente americano, Joe Biden, enfrenta a primeira grande crise do mandato, com a entrada massiva de imigrantes nos Estados Unidos. O número de pessoas que tentam chegar ao país disparou nas últimas semanas. Milhares de famílias, e até menores de idade desacompanhados, estão abrigadas em centros improvisados ou dormindo em barracas, em plena pandemia de Covid-19. Para o professor de Relações Internacionais da USP, Alexandre Uehara, a chegada do democrata à presidência foi um estímulo pelos imigrantes. “Pode ser reflexo dessa nova política e o próprio discurso que Biden vem adotando. A suspensão na construção do muro, suspensão das deportações, tudo isso pode dado a entender aos imigrantes a possibilidade de ingressar em maior número nos Estados Unidos.”

Uehara explica que a estratégia escolhida pelo presidente é negociar com governos da América Central para tentar reduzir a saída de pessoas desses países. “A política do Biden vai ser mais abrangente, buscando defender não apenas as fronteiras americanas, mas também combater diretamente nos países, como a Guatemala, Honduras, as questões que envolvem a expulsão de pessoas dos seus países e que acabam buscando refúgio  nos Estados Unidos”, diss. As prisões por tentativa de cruzar ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos dispararam desde o início do governo Biden, em 20 de janeiro. Em fevereiro, foram 100 mil detidos, um aumento de 28% em relação ao mês anterior. Este mês, com cerca de 4 mil prisões por dia, a tendência é que o número seja ainda maior.

*Com informações do repórter Vitor Brown