No poder há 50 anos na Síria, a família Assad confirmou mais uma vez o controle absoluto da política local. Com 95,1% dos votos, Bashar al-Assad foi reeleito presidente do país pelos próximos sets anos. A esmagadora vitória do xiita, no entanto, traz uma série de incertezas sobre a transparência do pleito, que é questionado por opositores e países ocidentais. Para o professor de Relações Internacional da ESPM, Gunter Rudzit, a disputa nas urnas funciona na prática apenas como uma fachada. Segundo ele, o próprio governo Assad é quem determina quem pode ou não concorrer à presidência. “Aqueles que concorrem são sempre a oposição permitida, que efetivamente não concorre para ganhar, nem nada, e estão ligados ao poder. Ou seja, toda uma estrutura para dar este ar de democracia”, afirmou. Essa foi a segunda eleição no país desde o início da guerra, em 2011, com a primavera árabe. Entre enfrentamentos a rebeldes e a participação de potências como Estados Unidos e Rússia, o conflito já deixou mais de 500 mil mortos e 11 mil refugiados. Segundo estimativas, 90% dos que ficaram no país vivem na pobreza.

*Com informações da repórter Camila Yunes