As eleições presidenciais da Síria acontecem nesta quarta-feira, 26, com a certeza de que Bashar Al-Assad deve conquistar um quarto mandato consecutivo. Esse ano, ele está concorrendo com dois candidatos relativamente desconhecidos: o ex-ministro Abdallah Saloum Abdalla e o chefe da Frente Nacional Democrática, um pequeno partido de oposição sancionado pelo governo, Mahmoud Ahmed Marei. Pelo menos 48 aspirantes à presidência apresentaram pedidos de candidatura que foram rejeitados. A votação já foi classificada como ‘fraudulenta’ e ‘ilegítima’ pela Alemanha, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido, que pediram que o restante da comunidade internacional também rejeite o pleito. Em resposta às acusações, o presidente sírio se limitou a dizer que as críticas ocidentais “não têm nenhum valor” após deixar o seu voto na cidade de Duma, um antigo reduto insurgente que foi reconquistado pelo seu exército em abril de 2018. Também foi ali que as forças do governo teriam realizado um ataque com armas químicas contra os rebeldes.

Durante os 30 anos que governou a Síria, Hafez al-Assad foi visto com bons olhos pela comunidade internacional porque, apesar de liderar a nação com mão de ferro, combatia o fundamentalismo islâmico que é tão recorrente entre os países do Oriente Médio. Após a sua morte em 10 de junho de 2000, ele foi substituído pelo seu filho Bashar al-Assad, que durante uma década manteve a boa desenvoltura da Síria no jogo geopolítico. A situação mudou no final de 2010, quando Bashar passou a reprimir violentamente as manifestações civis estimuladas pela Primavera Árabe, que pouco tempo depois se tornariam uma Guerra Civil. Acusado de cometer crimes de guerra e contra a humanidade, o presidente deve ganhar as eleições pela segunda vez desde o início dos conflitos. Em 2014, ele recebeu 88,7% dos votos em uma eleição que aconteceu apenas nas partes do país controladas pelo governo.