Dia da Educação: o que ainda é preciso melhorar no Brasil

Katy Meira
Katy Meira

No próximo 28 de abril é comemorado o Dia da Educação, uma data para refletir a importância da educação na vida de todos. E nada melhor do que ouvir de quem trabalha na área o que avançou e o que ainda precisa melhorar quando o assunto é educação no Brasil. O Escolas Exponenciais conversou com mantenedores e diretores de escolas de diferentes localidades para saber a opinião deles. Confira!

Avanços que merecem destaque na Educação
Antes de saber o que ainda precisa ser feito, de acordo com os entrevistados, para melhorar a Educação no Brasil, vamos destacar o que para eles é motivo de comemoração.

Lucas Briquez, mantenedor da Escola Teia Multicultural, em São Paulo, e CEO da Edtech Asas Educação, por exemplo, destaca como avanço a elaboração do conceito de educação integral. Para ele, isso significa que a escola tem um papel fundamental na formação do indivíduo, não só a partir de aspectos relacionados às áreas específicas do conhecimento, mas também em relação a questões físicas, espaciais, comportamentais, sociais e ideológicas.

“A gente passa a olhar esse indivíduo não apenas como uma máquina de reproduzir e sim como um ser complexo que deve ser desenvolvido em seus mais diversos aspectos”.

Briquez também vê com bons olhos a elaboração das competências gerais, em especial o autoconhecimento e o autocuidado. “Acredito que sejam a base para o desenvolvimento de todas as outras competências porque a partir desse contato, desse olhar, podemos ter toda a construção do conhecimento”, afirma.

Segundo Ademilton Costa, diretor do Colégio Anchieta Pituba, em Salvador (BA), é inegável que a educação teve alguns avanços em relação ao uso da tecnologia e acesso à informação, no que concerne ao universo educacional brasileiro, conferindo dinamicidade e fluidez na dicotomia “ensino-aprendizagem”.

Porém, ele destaca que esses avanços ainda são lentos em comparação com as mudanças que o restante do mundo vem evidenciando. Além da evolução científico-tecnológica, Costa aponta como positivo a importância dada ao desenvolvimento das competências socioemocionais.

“Esses aspectos transcendem à mera transposição de conteúdo e são necessários para a formação do indivíduo em sua relação com a linguagem, com o autoconhecimento e com o outro, para que, desse modo, ele esteja preparado para as adversidades e desafios da sua vida pessoal e profissional”.

O diretor também destaca a sensibilidade para a construção do projeto de vida e a notoriedade que vem ganhando o protagonismo estudantil.

Em São Luís (MA), as diretoras pedagógica e geral, Patrícia Debus e Luiza Bacelar, respectivamente, da Escola Crescimento – Unidades Calhau e Renascença -, consideram a inserção da tecnologia como ferramenta na construção do conhecimento como um avanço na Educação.

No entanto, ressaltam, que são poucas instituições que conseguem utilizar de maneira eficaz e eficiente as ferramentas efetivamente a favor da aprendizagem. “A interação, o processo colaborativo e a criatividade são estimuladas e desenvolvidas quando usamos recursos tecnológicos apropriados e com a intencionalidade pedagógica”, pontuam.

Aspectos que ainda deixam a desejar na Educação
Apesar dos pontos positivos, a Educação ainda tem muito o que evoluir. Para as diretoras da Escola Crescimento, Patrícia e Luiza, a elaboração e aplicação de um planejamento estratégico com foco em indicadores é um caminho assertivo para melhorar a Educação no País.

“A análise de dados é uma importante ação para que tenhamos qualidade efetiva no processo de aprendizagem. Essa análise possibilita ajustar um percurso previamente traçado, focando nas reais necessidades encontradas durante esse percurso. Com ela, também conseguimos implementar a personalização da educação e, por consequência, ampliar e estimular o protagonismo do aluno, desenvolvendo sua autonomia e habilidades para aprender a aprender”, afirmam.

No que diz respeito aos professores, Patrícia e Luiza acreditam que é preciso oferecer a formação continuada com foco em estratégias na condução do professor como um mediador.

Para Ademilton Costa, diretor do Colégio Anchieta Pituba, a Educação continua sendo um dos maiores desafios da sociedade brasileira e essa situação já atravessa séculos e gerações.

Ele destaca a falta de continuidade das políticas de Estado, a negligência com os aspectos de infraestrutura, a desvalorização do docente e a precária análise dos conteúdos significativos.

“É imprescindível perceber que, nesse mundo contemporâneo de constante mudanças, que são cada vez mais rápidas, é urgente a necessidade de construção de uma base educacional que permita atualizações constantes, afinal, consoante a crença de Edgar Morin – um dos mais célebres educadores contemporâneos – a educação precisa passar por uma metamorfose para que faça sentido para o processo de aquisição de conhecimento de um ser humano tão complexo quanto ao da pós-modernidade”, comenta.

Mantenedor da Escola Teia Multicultural, Lucas Briquez afirma que ainda existe uma divergência muito grande entre as demandas que o mercado impõe e o que a escola oferece.

“Existe um processo que acredito que ainda não aconteceu e que é muito importante para que a BNCC [Base Nacional Comum Curricular] seja de fato implementada, experienciada, que é um projeto de conscientização das próprias famílias. Elas têm que passar a entender o que é realmente importante para construção de uma sociedade justa, que é o desenvolvimento das habilidades socioemocionais”.

Para Briquez, essas habilidades ainda não têm o reconhecimento do público como sendo de devida importância para o desenvolvimento dos estudantes.

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