Jerusalém foi palco de um confronto entre judeus e palestinos que deixou pelo menos 100 pessoas feridas na noite desta quinta-feira, 23. Apesar do conflito possuir raízes profundas em uma disputa de mais de 70 anos, pode-se dizer que a recente tensão começou há pouco mais de uma semana, com o início do Ramadã. Desde 13 de abril, primeiro dia do mês sagrado dos muçulmanos, os palestinos estão acusando os israelenses de terem erguido barreiras para impedi-los de se reunirem nos arredores do Portão de Damasco, uma das principais entradas da Cidade Antiga de Jerusalém. Apesar da polícia local negar qualquer discriminação religiosa e alegar que a medida visa apenas facilitar a circulação de pedestres na região, a decisão levou alguns muçulmanos a fazerem um protesto na praça logo em frente. Enquanto isso, os judeus vêm se queixando de uma onda de vídeos do TikTok que mostram palestinos atacando membros da comunidade ultraortodoxa em Jerusalém. O grupo judeu de extrema-direita Levaha usou essa justificativa para marchar em direção ao Portão de Damasco entoando slogans que pediam “morte aos árabes”. Porém, eles também foram indiretamente encorajados pela recente eleição parlamentar, que obrigou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a se aliar a vários políticos racistas e extremistas para se manter no poder. A manifestação do Levaha invariavelmente acabou se encontrando com o protesto dos muçulmanos na entrada da Cidade Antiga, onde teve início um confronto que se estendeu até as primeiras horas da manhã de sexta-feira, 23. A polícia israelense teve que utilizar canhões de água e bombas de gás lacrimogênio para dispersar os judeus e palestinos, que lançavam pedras e garrafas uns contra os outros.

Os últimos confrontos desta magnitude em Jerusalém aconteceram em agosto de 2019, quando duas importantes festas judaica e muçulmana coincidiram. Na ocasião, foi registrado um saldo de 60 feridos. Rodeada por muros milenares, a Cidade Antiga de Jerusalém não chega a ter nem 1km², mas abriga uma série de monumentos de grande importância religiosa, como o Monte do Templo e o Muro das Lamentações para os judeus, o Domo da Rocha e a Mesquita de al-Aqsa para os muçulmanos e a Basílica do Santo Sepulcro e a Via Sacra para os cristãos. Tanto os israelenses quanto os palestinos reivindicam a cidade como sendo sua capital. A diferença é que Israel possui o controle de fato de Jerusalém, enquanto a Palestina a prevê como sua futura sede política.