A China anunciou nesta segunda-feira, 31, que cada casal terá permissão para ter até três filhos. Segundo as informações divulgadas pela agência de notícias do governo Xinhua, a mudança foi aprovada durante uma reunião com o presidente Xi Jinping, mas ainda não possui data para entrar em vigor. A decisão está relacionada aos resultados do censo de 2020, que indicaram que a população chinesa teve a menor taxa de crescimento desde 1953, quando foi realizada a primeira pesquisa do tipo no país. O Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) afirmou que 12 milhões de bebês nasceram no ano passado, uma diminuição significativa quando comparada aos 14,65 milhões em 2019 e os 18 milhões em 2016. Além disso, o número de cidadãos com 60 anos ou mais cresceu para 264 milhões, em comparação com 177,6 milhões no censo de 2010. O veículo de mídia estatal Global Times apontou que os resultados que comprovam o envelhecimento da população também servirão como referência para os planos do governo de adiar a aposentadoria nos próximos dois anos.

A polêmica “lei do filho único”, que proibia os casais de terem mais de um filho, vigorou na China de 1970 até 2016. O fim da medida há cinco anos atrás já foi um reflexo da preocupação do governo com o envelhecimento populacional, que indica que os cidadãos estão demandando recursos por mais anos ao mesmo tempo em que há menos força de trabalho para manter a produtividade econômica. Por anos, a China se beneficiou da sua numerosa população, que representa quase um quinto do planeta, para ter ampla mão de obra e ascender economicamente em uma velocidade nunca antes vista. Agora, se não conseguir reverter as estatísticas, pode estar em jogo as suas ambições de passar de segunda para primeira potência mundial. Em entrevista à Jovem Pan, o especialista em estudos asiáticos Alexandre Uehara explicou que, apesar da China possuir uma população idosa muito menor do que a do Japão, sua taxa de fecundidade é comparativamente mais baixa. A consequência é que a “reposição” populacional é menor, o que representa um custo significativo par ao governo.

Porém, os resultados do censo 2020 comprovam que o fim da lei do filho único está tendo pouco impacto no combate ao envelhecimento populacional. Ou seja, por mais que estejam autorizados a isso, os chineses não querem dar irmãozinhos às suas crianças. Uehara explica que esse comportamento está ligado à urbanização e ao cada vez mais elevado custo de vida na China. Isso acontece em diferentes partes do mundo, mas pode ter um agravante na sociedade chinesa: a alta competitividade no mercado de trabalho torna de suma importância investir em uma educação de qualidade para os herdeiros. Ciente desses desafios, o governo chinês tem lançado propagandas estatais pedindo que os casais tenham “filhos em nome do país” enquanto discute outras medidas, como a ampliação da licença-maternidade e incentivos financeiros e fiscais.