Cúpula de Líderes sobre o Clima foi encerrada nesta sexta-feira, 23, com um discurso final de Joe Biden, que mencionou indiretamente os anúncios ambientais feitos no dia anterior pelo presidente Jair Bolsonaro. “Ouvimos notícias encorajadoras da Argentina, do Brasil, da África do Sul e da Coréia do Sul“, afirmou o presidente dos Estados Unidos, elencando alguns dos países emergentes que participaram da reunião. Pressionado a tomar medidas mais contundentes em sua política ambiental, o chefe de Estado reafirmou o compromisso que o Brasil assumiu em 2015 através do Acordo de Paris de reduzir as emissões de gás carbônico em 37% até 2025 e em 40% até 2030, ano no qual o desmatamento ilegal também deve ser extinto. Porém, a grande novidade anunciada por Bolsonaro foi que ele anteciparia em 10 anos, ou seja, para 2050, o prazo final para que o Brasil alcance a neutralidade climática, tarefa que ele considerou “complexa”. O restante do discurso do presidente brasileiro foi dedicado a demonstrar abertura à cooperação internacional. “Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental podermos contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas”, afirmou. Bolsonaro também defendeu que “é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação”.

No entanto, Joe Biden teve uma reação comparativamente menos efusiva aos anúncios do Brasil do que de outros países. O presidente norte-americano fez questão de ressaltar logo no início do seu discurso final as “metas ambiciosas” estabelecidas por dois de seus maiores aliados, o Japão e o Canadá, reconhecendo ainda que esses objetivos vieram da “demonstração de liderança da União Europeia e do Reino Unido“. Além disso, Biden mencionou que pretende atuar em conjunto com a Índia no futuro.  “Eu estou ansioso para trabalhar com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em uma nova parceria para atingir nossos objetivos climáticos e energéticos, fazendo deles um pilar central das nossa relações bilaterais”, afirmou. Mais cedo, o anfitrião da Cúpula de Líderes sobre o Clima também fez uma menção direta a Vladmir Putin para defender que países devem deixar rivalidades de lado para combater as mudanças climáticas. “Por mais que eu e o presidente da Rússia tenhamos discordâncias, duas grandes nações podem cooperar para conquistar um objetivo”, disse.