O órgão fiscalizador de medicamentos da União Europeia afirmou nesta terça-feira, 20, que há uma “possível ligação” entre a vacina da Johnson & Johnson e casos de trombose. A agência recomendou que os os coágulos sejam listados como um efeito colateral “muito raro” da Janssen, depois que oito casos foram registrados nos Estados Unidos, sendo um deles fatal. Na semana passada, duas agências americanas recomendaram uma pausa na aplicação do imunizante no país. Mulheres com idade entre 18 e 48 anos desenvolveram uma forma rara de coagulação do sangue cerebral com plaquetas baixas. Antes, a Dinamarca já tinha decidido retirar a vacina da Oxford-AstraZeneca do programa de imunização. O motivo foi o mesmo: casos raros de coágulos sanguíneos. A infectologista Raquel Stucchi explica que os casos são muito recentes e que, por isso, não é possível ainda afirmar o que os causou. A médica, no entanto, ressalta que essas ocorrências, apesar de graves, são raras.

“O risco de ter esses fenômenos de trombose relacionados a vacinas é muito muitíssimo inferior ao benefício. Esses países que cancelaram a utilização da vacina são países que têm outras opções de vacinas, até tão eficazes quanto e que não apresentam esse risco. Então eles podem escolher, não vão ficar sem vacinar”, comenta. Por isso, Raquel Stucchi não vê a possibilidade do Brasil seguir os outros países na decisão de suspender a vacina da Oxford-Astrazeneca. Afinal, por enquanto, os brasileiros têm acesso apenas a esse imunizante e à CoronaVac. Na avaliação da infectologista, as doses que foram adquiridas por Dinamarca e Estados Unidos e que não serão mais utilizadas devem ser distribuídas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os países que tiveram já adquirido essas vacinas e decidam por não utilizá-las, eles deveriam com apoio da OMS redistribuir essas vacinas para os países que precisam e não têm opções para vacinar a população”, disse. A Dinamarca possui quase 2,5 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, que serão retiradas de circulação. Em março, os Estados Unidos anunciaram a compra de 100 milhões de doses da vacina Janssen, sendo que quase 8 milhões de doses foram aplicadas antes da suspensão.

*Com informações da repórter Nicole Fusco