O ministro dos Transportes e Comunicações de Belarus, Artiom Sikorski, afirmou nesta segunda-feira, 24, que o potencial risco à segurança a bordo que levou ao desvio do avião da Ryanair foi um e-mail em inglês enviado à direção do aeroporto contendo uma suposta ameaça de bomba do movimento islâmico palestino Hamas. O grupo negou qualquer envolvimento com o incidente envolvendo o voo que foi forçado a pousar na capital bielorrussa Minsk no domingo, 23. “Não utilizados tais métodos e é possível que os responsáveis busquem desacreditar o Hamas e minar a simpatia do mundo pelo povo palestino”, disse um porta-voz do movimento islâmico na madrugada desta terça-feira, 25. O avião da Ryanair, que voava de Atenas na Grécia para Vilnius na Lituânia, foi obrigado a fazer uma aterrissagem de emergência em Minsk em Belarus, onde o jornalista opositor Roman Protasevich foi retirado do avião e detido. As autoridades bielorrussas negam ter desviado o avião com o intuito de prender o repórter, mas sim devido ao aviso de bomba, embora as forças de segurança locais não tenham encontrado qualquer dispositivo explosivo no interior do avião. Este episódio causou um conflito diplomático sem precedentes, que inclui o fechamento do espaço aéreo com Belarus pela União Europeia, que também concordou em aplicar uma série de sanções contra o país e seu presidente, Aleksandr Lukashenko.

Nesta segunda-feira, 24, Roman Protasevich fez uma aparição na televisão estatal bielorrussa no qual confessou ter cometido crimes ao organizar “motins em massa em Misnk” e afirmou que o tratamento que recebeu das forças de segurança foi “correto”. No entanto, as suas feridas no rosto chamaram a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que disse temer pela segurança do jornalista. O Alto Comissariado dos Direitos Humanos apontou que é muito provável que essa aparição tenha sido resultado de coerção. “As informações obtidas sob coação não podem ser utilizadas contra o senhor Protasevich em qualquer processo judicial. Tais confissões são proibidas pela Convenção Contra a Tortura”, destacou o porta-voz do gabinete, Rupert Colville. A entidade busca obter garantias de que o jornalista, que vivia exilado, será tratado de forma digna e não será submetido à tortura, como supostamente aconteceu a centenas de manifestantes que participaram pacificamente em protestos contra as eleições fraudulentas de Belarus em 2020. Além disso, a ONU está preocupada com o destino da namorada de Protasevich, a russa Sofia Sapega, que viajava com ele e também foi detida arbitrariamente. Segundo seus parentes, a jovem está sendo mantida no centro penitenciário de Okrestina, também em Minsk, onde dezenas de manifestantes sofreram abusos e foram torturados após as eleições presidenciais.

 

Ainda na segunda-feira, 24, a polícia de Belarus confirmou que o jornalista está sendo mantido no presídio provisório nº 1 de Minsk, mas rejeitou a informação de que Protasevich havia sido internado devido a uma súbita piora de seu estado de saúde. Anteriormente, a mãe do repórter disse a vários veículos de imprensa que ela havia recebido um telefonema informando que seu filho havia sido hospitalizado devido a um problema cardíaco e que sua condição era crítica. “Roman tem problemas cardíacos, razão pela qual não prestou serviço no Exército. Em uma ocasião ele esteve em um estado de pré-infarto. Se lhe fizeram algo, pode ter causado um ataque cardíaco”, afirmou ela à emissora de televisão polonesa Belsat, cuja programação é destinada ao público bielorrusso para que ele tenha acesso a informações independentes. Ex-diretor do Nexta, um canal no Telegram usado como fonte de informação sobre os protestos contra o governo de Alexandr Lukashenko que ocorreram após as fraudulentas eleições presidenciais de agosto de 2020, Protasevich pode ser condenado a até 15 anos de prisão. A KGB bielorrussa o colocou em sua lista de terroristas em novembro de 2020, depois que a Justiça do país o acusou de organizar desordens de massa, minando a ordem pública e instigando a discórdia social.

*Com informações da EFE