Noah Green, um homem de 25 anos morador do estado da Virginia, foi identificado como sendo o autor do ataque ao Capitólio nesta sexta-feira, 2. O jovem, que lutava contra o vício em drogas e sofria de paranoia, teve uma piora no seu estado de saúde mental no dia anterior ao crime. Pouco antes de atropelar dois policiais que faziam a segurança da sede do Congresso, ele enviou uma mensagem de texto para o seu irmão dizendo que planejava se tornar um sem-teto. No entanto, Noah foi baleado após esfaquear um dos agentes e acabou falecendo no hospital. As informações foram confirmadas pelo próprio irmão de Noah, que morava com ele e aceitou dar entrevista ao The Washington Post. Outras pessoas próximas ao autor do ataque relataram ao USA TODAY que o jovem era tranquilo e não tinha atitudes violentas, apesar de ter tido algumas mudanças de comportamento recentemente. Demais veículos de imprensa dos Estados Unidos afirmam ter encontrado postagens antigas no Facebook e no Instagram em que Noah fala sobre os “fim dos tempos” e o “anticristo”, além de acusar o governo de exercer um “controle da mente”. Em outras publicações, o autor do ataque relata ter ficado desempregado depois que deixou o seu último trabalho “devido às aflições” e elogia Louis Farrakhan, líder do grupo negro norte-americano Nação do Islã que é acusado de disseminar discursos de ódio racistas, antissemitas e homofóbicos. O Facebook, que administra as duas redes sociais, anunciou ter apagado essas publicações enquanto colabora com a investigação da polícia.

William ‘Billy’ Evans já trabalhava há 18 anos na Polícia do Capitólio quando foi morto durante o ataque desta sexta-feira, 2. Ele e um colega, que não foi identificado, foram atropelados por Noah Green enquanto faziam a segurança da barricada norte da sede do Congresso. Na sequência, o autor do crime desceu do carro e atingiu William com uma faca. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu e também faleceu pouco depois. O outro agente se encontra em estado de saúde estável após receber atendimento médico e está fora de risco. O presidente Joe Biden lamentou a morte de William, afirmou estar rezando pela sua família e determinou que todas as bandeiras hasteadas em prédios públicos dos Estados Unidos deverão ficar a meio mastro em sinal de luto até terça-feira, 6. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, também comentou a morte do oficial. “Que sempre nos lembremos do heroísmo de quem deu sua vida para defender nossa democracia”, declarou a parlamentar.

Como o Congresso estava em recesso por causa do feriado da Páscoa, a movimentação era pequena dentro do Capitólio. Ainda assim, a polícia bloqueou todos os acessos ao complexo e impediu as pessoas de entrarem ou saírem do local por pelo menos duas horas, até que a situação fosse controlada. No momento, a polícia afirma que não existe mais risco e por isso o complexo já foi reaberto. Em coletiva de imprensa, a chefe da Polícia do Capitólio, Yogananda Pittman, acrescentou que esses têm sido “tempos difíceis” para ela e seus colegas, provavelmente fazendo referência à invasão do Congresso no dia 6 de janeiro. Na ocasião, apoiadores de Donald Trump interromperam a sessão que formalizaria a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais. O incidente causou a morte de cinco pessoas e levou ao processo de impeachment contra Trump, do qual ele foi absolvido. A Casa Branca confirmou que Joe Biden não estava em Washington D.C. no momento do incidente: o democrata tinha deixado a capital norte-americana pela manhã para passar a Sexta-feira Santa em Camp David, base militar e casa de campo dos presidentes dos Estados Unidos.