A candidata Keiko Fujimori denunciou nesta segunda-feira, 7, uma suposta “fraude sistemática” no segundo turno das eleições presidenciais no Peru, realizado ontem, apontando uma série de supostas irregularidades que ela atribui ao partido Peru Livre, de seu concorrente Pedro Castillo, que lidera a apuração dos votos por uma pequena margem. Em entrevista coletiva, Keiko afirmou que foi encontrada uma série de irregularidades no processo eleitoral e que é “importante torná-las evidente”. Ela também pediu aos cidadãos peruanos que denunciem os casos que conhecem. Quando a apuração dos votos realizada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) havia chegado a 94,4% do total, Castillo liderava com 50,2% dos votos, contra 49,7% de Keiko.

Entre as irregularidades que a candidata do partido Força Popular apontou estão impugnações de urnas nas quais obteve mais votos que Castillo, conversas de treinamentos do Peru Livre nas quais militantes pedem que os funcionários cheguem cedo aos centros de votação para garantir os votos e uma queixa contra um funcionário da legenda que marcou 87 cédulas fraudulentamente. “Há uma clara intenção de boicotar a vontade do povo”, disse Keiko, além de pedir que relatos de casos semelhantes sejam compartilhados em redes sociais com a hashtag #FraudeEnMesa. “Não é que estejamos preocupados com nossa candidatura, mas sim com a defesa do futuro de nosso país”, disse ela.

O candidato da chapa de Keiko à primeira vice-presidência, Luis Galarreta, afirmou na entrevista coletiva que, na cidade de Puno, toda uma família de apoiadores de Castillo apareceu como membros de mesa eleitoral em um dos centros de votação. Além disso, ele alegou que mais de 1,2 mil urnas nas quais Fujimori liderava foram impugnadas. “Impugnaram de uma maneira grosseira, porque, se não tivessem impugnado, a votação transcorreria de outra maneira”, alegou. Por sua vez, Keiko disse que, de acordo com a contagem dos votos, a diferença atual de 0,5% em relação a Castillo mantém sua equipe de campanha “otimista”. “Sabemos que faltam ser contabilizadas as urnas de nossos compatriotas no exterior, e estamos confiantes que a apuração vai emparelhar”, afirmou.

Observadores respaldam entidades eleitorais

A poucos dias das eleições presidenciais do último domingo, 6, o assessor eleitoral do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Luis Martínez-Betanzos, disse à Agência Efe que “não há nada, nem ninguém que tenha prejudicado a credibilidade” do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) ou do Júri Nacional de Eleições (JNE), os mais altos órgãos eleitorais do país. “Vejo ataques de ambos os lados, mas não há fraude. As fraudes eleitorais em qualquer país só podem ser organizadas e instruídas pelo Executivo, e aqui o governo está administrando de forma impecável e leal com a democracia”, argumentou. Nesta segunda-feira, o JNE compartilhou no Twitter um documento da Missão de Observadores da União Interamericana de Organizações Eleitorais (Uniore) que “reconhece que o processo eleitoral realizado em 6 de junho foi organizado corretamente e com sucesso, de acordo com os padrões nacionais e internacionais”.

*Com informações da EFE