A Argentina anunciou nesta terça-feira, 18, a suspensão das exportações de carne por 30 dias. Nesse período, o governo do presidente Alberto Fernández pretende definir um conjunto de medidas de emergência para frear os preços no mercado interno, que subiram mais de 60% em abril. Entre elas estão possíveis restrições a práticas especulativas e sonegações fiscais no comércio exterior. “Não podemos continuar vendo como os preços da carne sobem sem justificativa. O mais impressionante é que o preço da carne cresce e o consumo cai. Não é que o preço sobe porque a demanda cresce. Hoje consumimos o nível mais baixo de carne. E os preços crescem sem parar. Temos que colocar ordem”, afirmou Fernández em entrevista à Rádio 10. O presidente também relacionou o fenômeno ao crescimento da demanda da China: 75% da carne bovina argentina que é exportada atualmente vai para o gigante asiático. “O que aconteceu também é que como a demanda foi tão grande o preço internacional subiu, esses preços passaram a competir com os preços do mercado interno”, explicou. A decisão tem gerado polêmica e levou organizações agrícolas a convocar uma greve. Além disso, desde o anúncio as ações dos frigoríficos brasileiros Minerva e Marfrig, que operam na Argentina, caíram mais de 3%.