A chanceler Angela Merkel classificou que a Alemanha enfrenta uma “nova pandemia” após a variante britânica da Covid-19 se tornar dominante no pais. Uma paralisação que vai valer durante a Páscoa foi anunciada na tentativa de contar as crescentes taxas de infecção. Durante o feriado, entre 1 e 5 de abril, os encontros só serão permitidos entre cinco adultos de até duas famílias diferentes em uma mesma casa. As pessoas devem evitar sair e, na maior parte do tempo, apenas lojas de alimentos ficarão abertas. As igrejas foram orientadas para que realizem apenas cultos online.

Sob as novas regras, os funcionários em home office poderão estender a modalidade até 18 de abril — em vez de retornar em 28 de março, conforme estava previsto. Merkel avaliou a situação como “muito séria” e ressaltou que os leitos de UTI estão enchendo novamente. Ela desaconselhou viagens ao exterior e concordou que as companhias aéreas devem testar os repatriados antes de voar. Quem reforçou os pedidos da chanceler foi o primeiro-ministro da Baviera, Markus Söder, que acrescentou: “Estamos, agora, na fase mais perigosa da pandemia.” Ele se reuniu com os líderes de 16 estados da Alemanha.

Em vez de anunciarem um endurecimento das restrições, o grupo concordou em apenas pausar a retomada das atividades. Bares, restaurantes, lugares de lazer e cultura também não podem funcionar pelo menos até o dia 18 de abril. Angela Merkel reforçou o discurso da chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, de impedir que as produções da AstraZeneca produzidas no bloco sejam exportadas antes de uma reunião que acontece na quinta-feira, 25.

Von der Leyen pediu, na última semana, que a farmacêutica respeite o contrato com a UE antes de entregar doses para outros países. As novas medidas adotadas na Alemanha coincide com o alerta feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a contagem global de mortes por Covid-19 estar aumentando após seis semanas em queda. Segundo o Robert Koch Institute for Infectious Diseases, a Alemanha tem 107 infecções a cada 100 mil habitantes — o que acende um alerta, já que as UTIs podem não suportar a demanda. Hoje o país tem 2.674.710 casos de Covid-19 e 74.964 óbitos pela doença.