A testagem em massa da população é uma das estratégias utilizadas para mapear a Covid-19, tentar criar barreiras e impedir a disseminação da doença e suas variantes. Existem três possíveis testes para identificar o vírus ou anticorpos dele: RT-PCR, o PCR antígeno e o teste rápido para detecção de IgG e IgM. Cada um funciona de uma maneira diferente e tem suas especificações. De todos, o mais confiável, e o único que é convertido em estatística para o Ministério da Saúde, é o RT-PCR — o exame do cotonete, que é inserido no nariz ou na garganta com o objetivo de coletar material. Apesar de demorar um pouco mais de tempo para o resultado, podendo variar de horas a dias, dependendo do fluxo de análise, ele é o mais confiável. O PCR antígeno também tem um grau alto de confiabilidade e é feito com o cotonete, mas é menos sensível que o RT.

“O PCR é uma técnica que promove, em tempo real, uma reação em cadeia das proteínas. A gente pega a partícula de DNA do vírus, coloca em uma máquina que faz com que elas se multipliquem até aparecer uma quantidade com a qual consiga medir e detectar a doença. O RT-PCR tem um tempo, um ciclo, para a gente fazer essa replicação do DNA viral. E é isso que torna esse exame com o resultado mais demorado que o antígeno. No antígeno, para detectar a doença, a gente coloca substâncias que vão grudar no cotonete e mostrar um resultado”, explica a infectologista Renata Bortoleto, COO da Medlink Tecnologia. O PCR antígeno, em geral, é vendido em farmácia e apresenta o resultado em poucos minutos.

Quando um paciente tem sintomas da Covid-19, como febre e dor de garganta e cabeça, o exame mais indicado é o PCR. “O antígeno até pode ser feito. Mas, nessa situação, caso o paciente tenha sintomas, se vier negativo, ele não pode descartar que tenha a doença”, completa a infectologista. Neste momento, o ideal é procurar um hospital ou alguma unidade de saúde que realize o RT-PCR para tirar a dúvida. Tanto o RT quanto o antígeno podem detectar a doença a partir do primeiro dia de sintomas e são indicados para a fase mais aguda da infecção. A especialista alerta que realizar um teste antes de um encontro familiar, por exemplo, não é uma garantia de não infecção. “Quando não se tem sintomas, qualquer teste pode dar falso-negativo. Isso não descarta uma infecção inicial, em que os sintomas não se manifestaram, mas você pode estar com a doença e a transmitindo”, alerta Renata.

E o teste rápido?

Ao contrário do que muito pensam, o teste rápido, que coleta uma amostra ou gota de sangue, não é nada confiável para detectar infecções ativas. Eles são conhecidos como teste de sorologia e só podem te dizer se você tem ou não anticorpos para a Covid-19 — o que também não é uma garantia de imunidade, já que as reinfecções ainda são estudadas, além das variantes que surgem a cada dia. Dos indicadores, o IgM pode ser positivo na fase aguda da doença. Já o IgG só se manifesta depois que a pessoa desenvolveu os anticorpos.

“No momento dos sintomas, os testes rápidos não são confiáveis porque demoram alguns dias para esses anticorpos serem produzidos. Ele jamais é um teste de diagnóstico”, afirma a COO da Medlink Tecnologia. De acordo com ela, esse teste é muito utilizado para avaliações epidemiológicas e trabalhos científicos, como no caso de vacinas, por exemplo, para verificar se a imunidade foi mantida. “Fazer um teste rápido na farmácia não faz o menor sentido porque é um teste de resposta tardia e que tem sensibilidade baixa. A reação que acontece ali não é tão específica, precisa ter um anticorpo muito grande para dar positivo.”