A comerciante Samia Rifai, proprietária de uma loja de material de construção no Brás, região central de São Paulo, conta os reflexos da pandemia no comércio. Antes da crise sanitária, ela tinha oito funcionários, agora são apenas dois. Recontratar não é uma possibilidade, já que as dívidas com os fornecedores se acumulam. “Estou com uma base de R$ 150 mil de dívidas, o que tá entrando não é 1% da receita. Você faz uma lista e escolhe quem vai ser o sortudo com tantos que você tem pra pagar”, relata. A situação de Samia, reflexo da realidade dos comerciantes em todo o Estado de São Paulo, é traduzida em estatísticas no mês de abril: de acordo com a Fecomercio, houve queda nos principais indicadores. O índice de confiança do empresário caiu 9%, a taxa de expansão do comércio, que mede a propensão dos comerciantes em investir, recuou 7,6%, enquanto na expectativa para contratação de funcionários a redução foi de 8% e o nível de investimento caiu 7%.

Uma das reivindicações para reverter o cenário é a ampliação do horário de funcionamento. Após decisão anunciada nesta quarta-feira, 28, pela gestão estadual, a partir de maio, o setor poderá funcionar das 6h às 20h. Segundo o assessor econômico da Fecomercio, Fábio Pina, a ampliação é bem-vinda para melhorar os números. “O empresário olhou pro começo do ano, ao final do ano passado tinha uma projeção melhor, imaginando que a pandemia estava sendo controlada. Não se esperava essa segunda onda, a maioria das pessoas não esperava, uma onda muito forte. Isso assustou os empresários e fez com que a margem de confiança caísse. A gente espera que agora, fazendo o caminho inverso, a margem de confiança retome.”

Para a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping, a extensão do horário também é bem vista, mas não inteiramente satisfatória. Nabil Sahyoun, presidente da entidade, diz que ainda se negocia com o governo o funcionamento das praças de alimentação até 21 horas. “ Os restaurantes de shoppings com todos os protocolos, com toda tranquilidade eles têm condições de funcionar até as 21 horas. Os shoppings são os lugares mais seguros para se fazer compras, tenho plena convicção que vamos começar a recuperar”, afirmou. Segundo ele, os shoppings devem lançar várias ações com premiações de carros e celulares para atrair os clientes nas datas de Dia das Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais.

*Com informações da repórter Carolina Abelin