A professora Gabriela Maria dos Santos dá aula em duas escolas no Jardim São Luiz, Zona Sul de São Paulo. Por conta da paralisação e dos problemas emocionais, ela recebeu atendimento individual de uma psicóloga voluntária do projeto “Quero na Escola” de apoio emocional, criado no ano passado que oferece escuta individual, rodas de conversa outros educadores e também com os alunos. Gabriela conta que começou a sentir falta da rotina e dificuldade de adaptação ao ter que lidar com conteúdos online. “Tem aprendizagem de como saber lidar com tudo isso, vivendo um dia de cada vez e tendo um momento de desabafo, de escuta e às vezes de caminhos mesmo. Não é uma resposta dada, mas te faz refletir e partir disso você tem a opção de continuar ou mudar algumas questões.”

O projeto atendeu mais de dois mil educadores no ano passado e recebeu 600 solicitações de inscrições apenas no primeiro dia de 2021. A idealizadora do projeto, Cinthia Rodrigues, diz que o grande desafio para os professores é entender como lidar com os alunos depois de tanto tempo sem falar com eles. “Ele volta a falar com esse aluno, só que é um aluno que passou por um ano traumático, como quase todos nós. O professor não foi formado, não foi treinado para lidar com isso, como eu recebo esse aluno? Como eu acolho esse aluno, essas famílias ainda com medo, ainda com incertezas e, agora, muitas vezes com o luto?”, aponta. Para se cadastrar e solicitar atendimento, tanto os educadores como os terapeutas voluntários devem acessar o site queronaescola.com.br/apoioemocional.

*Com informações do repórter Victor Moraes