A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro colocou sigilo de cinco anos nos documentos enviados ao Ministério Público sobre a operação na comunidade do Jacarezinho, ocorrida em 6 de maio. Considerada a mais letal da história da capital fluminense, a ação resultou na morte de 28 pessoas, sendo um agente civil. A repercussão da operação levou o escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) a solicitar uma investigação independente sobre o ocorrido. Da mesma forma, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu esclarecimentos ao governo do Rio de Janeiro sobre o tema. Em nota encaminhada à Jovem Pan, a corporação afirmou, no entanto, que “falar em violação aos Direitos Humanos antes da conclusão das investigações é precipitado e busca politizar a discussão” e esclareceu que “os órgãos responsáveis pela investigação têm amplo acesso a todas as informações, sem qualquer sigilo, garantindo a transparência e eficácia da investigação”, embora confirme a restrição de acesso pelo período de cinco anos.

Batizada de “Exceptis”, a operação no Jacarezinho é resultado de uma investigação da Polícia Civil, em conjunto com o Setor de Busca Eletrônica Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), contra o “aliciamento de crianças e adolescentes para integrar a facção criminosa que domina o território”. Na ocasião, a corporação informou que os criminosos estariam envolvidos com otráfico de drogas, roubo de cargas, assaltos a pedestres, homicídios e sequestros de trens da SuperVia”, e defendeu a legalidade da operação. “A Polícia Civil não entra em comunidade nenhuma para praticar execuções, mas às vezes precisamos revidar. A Polícia Civil entra para cumprir mandados de prisão deferidos pela Justiça. Sendo assim, a operação deflagrada foi baseada em um inquérito judicial e ocorreu completamente dentro da legalidade”, disse o delegado Roberto Cardoso, titular do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP).