Mesmo durante a pandemia, o gerente de vendas Bruno Vignati, de 34 anos, conseguiu manter a extensa rotina de exercícios físicos em dia. No começo de janeiro, cerca de um mês depois de se recuperar da Covid-19, ele fez exames de rotina com acompanhamento de profissionais do estúdio onde treina. Os resultados foram satisfatórios, exceto a pressão, que marcou 14 por 8. “Como eu treino praticamente todos os dias no estúdio, ela começou apresentar todos os dias 14 por 8 quando melhorava um pouquinho era 13 por 8, aí marquei uma consulta com clínico geral. Todos os exames estavam ok, exceto mapa. A minha pressão teve momentos de 21 por 10, quando ia dormir, que era para baixar bem, chegou a 17 por 10, 17 por 11, então estava bem alta. Não tem nada específico que possa confirmar o motivo da pressão alta, mas pode ser a própria Covid-19, uma sequela. Minha mãe também tem pressão alta, então pode ser uma questão hereditária.”

O Bruno não apresentou nenhum dos sintomas comuns de hipertensão, como dor de cabeça falta de ar, visão borrada, zumbido no ouvido, tontura e dores no peito. Esses sinais costumam aparecer quando a doença está em uma fase avançada, por isso a importância da prevenção. A Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que 30% dos brasileiros convivem com a doença, que ainda é responsável pela morte de mais de 10 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. A pressão alta pode ocasionar infarto, derrame, insuficiência renal e demência vascular. Além disso, pacientes com a pressão descontrolada podem ter maiores complicações por Covid-19. No entanto, em meio a escassez de imunizantes, ainda não há data para a inclusão de hipertensos no cronograma de vacinação.

Diante deste cenário, o presidente da SBC, Celso Amodeo, avalia que pacientes com risco cardiovascular alto deveriam ser prioridade. “São aqueles indivíduos hipertensos, seja de estágio 1, 2 e 3, mas que apresentem dano, complicação renal, cardíaca ou cerebral. E também aqueles que tem associação de outras doenças, que chamamos de comorbidades. Então hipertenso com diabetes, hipertenso com doença renal, que faz diálise”, afirma. Celso Amodeo reforça que a prevenção e tratamento passam pela prática regular de exercícios físicos, alimentação hipocalórica, pobre em gordura e com poucos alimentos processados.

*Com informações da repórter Nanny Cox