Os golpes através do WhatsApp estão sendo proliferados cada vez mais. O chef de cozinha Ricardo Lorenzi foi uma das milhares de vítimas de golpistas. Ele recebeu um telefonema sendo convidado para um evento com um renomado chefe. O criminoso, do outro lado da linha, disse que enviaria um código através do SMS para confirmação de sua presença. Foi aí que clonou o aplicativo. “Eu passei o código para ele e, nesse momento, ele se apoderou do meu WhatsApp. E aí ele começou a pedir dinheiro para as pessoas do meu relacionamento e eles são muito espertos. Fazem o seguinte: pegam as pessoas que você está se relacionando naquele momento, recentemente. Ele vê como você conversa, quais os apelidos delas, como você chama.”

Com menos pessoas nas ruas, as quadrilhas estão agindo com maior frequência nesse tipo de ação e oferecendo de tudo — desde convite para festas eventos, vouchers para restaurantes e até a antecipação da vacina contra Covid-19. Em todos os casos, pedem o chamado código de confirmação — geralmente enviado por SMS e contendo seis dígitos. O ex-secretário nacional do consumidor Arthur Rollo dá dicas de como as pessoas devem se precaver. “Todo cuidado é pouco. Nunca dê nenhum código que vem para o seu celular, que é a tal da verificação em duas etapas, e tome cuidado também com links maliciosos.” Se mesmo assim cair no golpe, ele ensina como reaver o perfil no aplicativo e derrubar a conexão da outra pessoa. “A recomendação que a gente dá é para entrar no site do WhatsApp e reinstalar no telefone, pedindo um código de segurança. Quando você solicitar o código na reinstalação, você automaticamente vai fazer cair o WhatsApp no telefone do golpista.”

Uma vez com acesso na lista de contatos do celular, o golpista pede dinheiro para parentes e amigos em nome das vítimas — geralmente dizendo que o limite diário de transferências estourou e se a pessoa pode “quebrar um galho” e depositar a quantia e que ja no dia seguinte devolve o montante. as contas para o deposito são fantasmas, muitas vezes abertas com documentos falsos ou clonados. Ricardo Lorenzi lamenta o fato de amigos, na boa fé, terem depositado dinheiro achando que seria para ele. “Resumido a obra, duas pessoas do meu relacionamento mandaram dinheiro para esse elemento. Nas minhas costas, ele faturou R$ 3 mil.” O jeito é ficar atento e desconfiar de ofertas mirabolantes, pois caso o contrário você poderá ser a próxima vítima.

*Com informações do repórter Daniel Lian