Graças a doações, a dona Odete Camargo conseguiu garantir neste domingo, 4, as refeições da família para esta semana. A situação financeira, que já não era fácil, foi agravada pela pandemia de Covid-19. Com os seis filhos desempregados, é ela quem ajuda a alimentar os 19 netos. “Eles vêm à tarde, ela vem e deixa eles comigo: ‘vó, o que tem para comer?’ Não tem mistura, pode ser? Eles falam ‘pode, vó’. Comem feijão e arroz, o que tiver eles comem”, conta Odete. A aposentada Maria Raldão de Barros, mais conhecida como Tida, enfrenta a mesma dificuldade. Neste domingo, ela ganhou uma cesta básica, que ajudará a alimentar as oito pessoas que moram com ela. “Dou graças a Deus de ter essa cesta básica. Cinco quilos de arroz dá para passar uns quatro ou cinco dias em casa.”

No ano passado, a comunidade de Paraisópolis conseguiu distribuir dez mil marmitas por dia para as pessoas mais necessitadas. Mas, nos últimos meses, as doações diminuíram, e consequentemente as refeições doadas também. Agora são apenas 500 por dia. A situação é dramática, segundo o líder comunitário Gilson Rodrigues. “O panorama que estamos vivendo aqui em Paraisópolis, e estamos vivendo na maioria das favelas do Brasil, é um panorama de fome e desemprego. O novo normal está representando menos comida na mesa, está representando uma fila de pessoas que chegam aqui que, por vezes, a comida acaba e a fila continua.”

Apenas em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, pelo menos 10 mil famílias precisam de doações de cestas básicas para sobreviver. Para ajudar essas famílias, a Jovem Pan inicia nesta segunda-feira, 5, em parceria com Instituto Brasil 200 uma campanha para arrecadar alimentos. O objetivo do projeto é arrecadar R$ 100 mil, que serão revertidos em doações de cestas básicas, cada uma custa R$ 50. Três ONGs ajudarão a distribuir as doações: G10 Favelas, que reúne cerca de 300 comunidades em todo o país; Pequeno Mestre, que atende mais de 1300 famílias no Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo; e a instituição social Patris, que acolhe crianças e adolescentes em contraturno escolar. Para doar clique aqui.

*Com informações da repórter Nicole Fusco