Alexia Santana de Lima, de 22 anos, terminou o Ensino Médio no início da pandemia da Covid-19 e, desde então, sonha com uma oportunidade no mercado de trabalho. Ela já mandou dezenas de currículos, mas nada apareceu. “Desejo muito que essa pandemia acabe e que as empresas deem oportunidades para nós, jovens, para poder investir em educação e melhorar nossos currículos, ter uma oportunidade maior. E eu finalmente realizar meu sonho de fazer um curso de gastronomia, abrir meu próprio restaurante.” Um estudo realizado pela FGV Social mostra que o número de jovens que não trabalham e nem estudam, os chamados nem-nem, cresceu nos últimos meses.

A taxa de pessoas de 15 a 29 anos, neste grupo, subiu para 25,52% no quarto trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019 — que foi de 23,66%. Ao longo do ano passado, esse número chegou a bater recorde atingindo 29,33% no segundo trimestre. Os maiores percentuais de “nem-nem” estavam entre mulheres (31,29%), pretos (29,09%), moradores do Nordeste (32%) e de periferia das maiores metrópoles brasileiras (27,41%), chefes de família (27,39%) e pessoas sem instrução (66,81%). Os “nem-nem” estão entre aqueles com menor nível de educação e são os principais provedores, o que traz implicações para o futuro desses jovens e de famílias inteiras. Por outro lado, o estudo identificou uma queda na taxa de evasão escolar.

O índice de jovens que deixaram de frequentar a sala de aula atingiu o nível mais baixo no último trimestre de 2020 — 57,95%. Para o pesquisador Marcelo Neri, a queda na evasão escolar no período surpreendeu positivamente. “Essa queda da evasão escolar, que a gente não esperava, talvez permita o desenho de políticas educacionais mais eficientes, políticas de inclusão digital, de entrega de conteúdos, matemática, português, cidadania financeira, programação, etc. Coisas que não estamos fazendo hoje.” Ainda segundo a pesquisa, o desemprego na faixa de 15 a 29 anos subiu de 49,37%, em 2019, para 56,34%, em 2020.

*Com informações da repórter Caterina Achutti